Todos os autores que arriscam apresentar o que escrevem, fora da sua zona de conforto, procuram factores motivacionais que justifiquem a continuidade produtiva. Aqueles que se preocupam em dar aos seus trabalhos um fio condutor, idealizando um rumo e dando à sua escrita, para além de características que a identifiquem, alguma coerência, sentem a necessidade de ouvir aqueles que os lêem. O retorno dos leitores é, portanto, fundamental.
Tal como fiz em outras ocasiões, usarei na abordagem
desta temática a minha própria percepção e experiência, enquanto autor, para
melhor conseguir explicar as ideias que aqui defendo. E faço-o porque as minhas
verdades não são universais, cada um tem a sua, ou como diz Gisela Ramos Rosa:
“A verdade é uma experiência íntima”. Adiante.
Os que acompanham a poesia que escrevo, já me ouviram
falar, inúmeras vezes, daqueles que, desde a primeira hora, têm estado do meu
lado e a quem eu sempre estarei agradecido pelo grande apoio e motivação que me
dão.
No entanto, quando falo dessas vozes motivacionais,
não me refiro a todos aqueles que se limitam a louvar a escrita, antes pelo
contrário. Os alvos desse epíteto são aqueles que animam nas horas de desânimo
mas também apontam defeitos nos momentos de euforia. Os que mais motivação me
transmitem não são aqueles para quem tudo o que escrevo é bom e bonito, mas sim
os que, quando a inspiração anda arredia, me dizem “avança, vai em frente,
melhores dias virão”, e sabem apontar defeitos, indicar caminhos e apresentar
alternativas sempre que detectam fragilidades nos meus textos. Vozes
motivacionais são aquelas que sabem fazer o que atrás mencionei mas de forma
construtiva. Fazem-no porque acreditam na validade do meu trabalho e é essa
crença que me motiva a prosseguir esta caminhada pelo mundo da escrita.
Como exemplo do que acabo de dizer quero partilhar
convosco uma situação que aconteceu alguns anos atrás. Estava eu a dar os
primeiros passos na internet, publicava a minha poesia num blogue e o sonho de
editar estava adormecido pelas frustrações de anos. Um dia, após postar um
poema, recebi uma mensagem por mail de um senhor, que acompanhava o blogue com
alguma assiduidade, no qual me era sugerida, através de argumentos
fundamentados e sugestão de alternativas, uma pequena modificação no texto.
Convencido da legitimidade do reparo e aceitando como válida uma das sugestões,
fiz a alteração recomendada e ainda hoje, digo-o sem qualquer problema, esse
poema, que incluí no meu primeiro livro, é um dos mais referenciados por quem
me lê.
Este pequeno episódio - poderia dar outros exemplos
idênticos - fez-me reflectir na necessidade de ouvir opiniões exteriores, o
mesmo é dizer isentas, sobre tudo o que escrevo. Por essa razão, sempre que
termino de escrever algo, faço questão de o mostrar a alguém, fora do meu ciclo
mais próximo, e assim recolher informações que me ajudem a melhorar a cada texto.
Quando digo que busco opiniões fora da zona de
conforto e ciclo mais próximo não estou com isto a desvalorizar as capacidades
avaliadoras de quem lida comigo mais de perto mas, convenhamos, na maior parte
das vezes essa proximidade inibe as pessoas de me transmitirem com mais
objectividade as suas percepções.
Seja como for, e para terminar esta dissertação,
resta-me dizer que é extremamente importante que cada autor procure filtrar, de
todas as opiniões recebidas, aquelas que, com critério e racionalidade, podem
ser uma mais-valia e manter essas vozes motivacionais activas e presentes no
momento de criar. A evolução de um autor também depende disso.
MANU DIXIT



