De um modo geral, as pessoas que gostam de escrever,
seja em que registo for, fazem-no descontraidamente e sem propósito algum para
além do simples prazer que o acto proporciona. Ao escrever, há quem encontre
uma forma de catarse, um veículo condutor de reflexão ou mero exercício lúdico.
Seja qual for a razão que leva alguém a escrever, é quase um dado adquirido
que, com o passar do tempo, a acumulação de escritos e a evolução natural de
quem escreve, cada um procure limar arestas e assim aperfeiçoar o seu estilo.
Fazem-se experiências, incursões em géneros e temáticas distintas do habitual
e, não raras vezes, buscam-se melhorias nos intercâmbios e parcerias. É nestes
dois últimos aspectos que quero focar-me.
Um dos exercícios que me habituei a fazer passa por
escrever tendo por base outras formas de arte: pintura, fotografia ou
escultura. Não sobre o que vejo nessas imagens mas o que me inspiram. Com este
género de exercício, busco diferentes abordagens para temáticas que me são
próximas e para outras onde normalmente não me aventuro. É interessante
verificar que, na maior parte das vezes que me proponho a estes exercícios, a
diversidade vocabular dos meus textos aumenta, por exigência do objecto
inspirador, e essa característica reflete-se, posteriormente, na poesia que
escrevo.
Num patamar menos individualista está um outro
exercício criativo, muito popular na blogosfera e nas redes sociais; o dueto.
Embora grande parte do que é feito neste campo tenha mais de afectividade do
que importância lírica, não é menos verdade que pode ser um estímulo importante
não só para o acto de escrever mas também na busca de soluções inovadoras na
escrita de cada um. Os desafios que se colocam num dueto nem sempre são
afirmativamente correspondidos, por diversas razões, mas creio que o manancial
de experiência que se adquire é importante, assim o entenda cada autor.
Ambos os exercícios que referi, têm particularidades
muito próprias e os resultados não serão pérolas de escrita, no entanto, a sua
função primordial é ajudar na busca de novos caminhos, novas soluções e
aperfeiçoamento. Nem tudo o que escrevemos é qualitativamente aceitável mas é
possível melhorar e uma das formas de o fazer é por tentativa e erro, e nesta
perspectiva é melhor errar nestes exercícios do que em textos que se querem
definitivos e definidores de uma obra.
MANU DIXIT




