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sábado, 21 de dezembro de 2013

EU FALO DE... UM SERÃO DE POESIA

Para não ser acusado de apenas escrever sobre as coisas más que acontecem nos eventos literários, hoje vou falar-vos um pouco sobre o fim de noite do passado dia 19 no bar INDA A NOITE É UMA CRIANÇA. Para quem não sabe, este bar situa-se no número 8 da Praça das Flores, na freguesia das Mercês, entre o Parlamento e o Jardim do Príncipe Real, em pleno centro de Lisboa.

Embora já tivesse ouvido falar dos serões de poesia que aí fazem todas as quintas-feiras, esta foi a minha primeira visita a este espaço, a convite do poeta e amigo Alexandre Carvalho. Quase em simultâneo com a minha entrada, cerca das 21.30, surgiram mais alguns poetas, entre os quais alguns que conheci pessoalmente há menos de um mês em eventos realizados ali perto, no Centro Cultural do Século.

Feitas as apresentações e os cumprimentos da praxe e colocada alguma ordem na sala, diga-se, bem acolhedora, a anfitriã Carmen Filomena deu início à sessão lendo um poema de António Gedeão, numa alusão à época festiva que atravessamos.

Perante o acanhamento inicial, que normalmente existe neste género de eventos, coube-me a mim a segunda intervenção na qual li alguns inéditos meus. Quebrado o gelo, seguiram-se as leituras dos outros poetas presentes entre os quais e a saber: Alexandre Carvalho, Fernando Jorge Benevides, Nuno Garcia, Jorge Ferreira e Mariete Lisboa Guerra.

Também presente na sala estava a poetisa Mariana Loureiro que delegou, a mim e ao poeta Alexandre Carvalho, a leitura de alguns poemas seus que estão na recém-editada colectânea Essência dos sentidos II.

Para além dos poetas que acabei de mencionar, também marcaram presença mais alguns autores, que não conheço e foram chegando ao longo da sessão, e algumas pessoas que apareceram pelo simples gosto de ouvir poesia.

Intercalando as intervenções, um a um, todos tiveram a oportunidade de ler vários poemas da sua autoria e escutar as sensibilidades dos restantes poetas, numa sessão que correu fluída e com vários temas abordados.

Quase sem se dar por isso, o tempo voou e já passava da uma da manhã quando saí e comigo trouxe a certeza que este tinha sido o primeiro de muitos serões de poesia.


MANU DIXIT

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

VAMOS FALAR DISSO... MARTA TEIXEIRA PINTO

Desde a primeira hora, este espaço tem-se disponibilizado para dar voz a outros autores. Deste modo, é com muita honra que hoje vos trazemos um texto da escritora MARTA TEIXEIRA PINTO, em que a autora faz a reflexão sobre as suas experiências, um ano após o lançamento do seu livro PORTAS MÁGICAS


Um ano de «Portas Mágicas»

Antes de iniciar esta reflexão talvez seja importante esclarecer que quando assumo um compromisso levo-o até ao fim, esforço-me até ao limite e entrego-me a cem por cento. Para mim, no que se refere a compromissos, sejam eles grandes ou pequenos, não há meias-palavras nem meias-medidas. Ou é ou não é. Ou sim ou não. Posto isto, quando há cerca de um ano a Editora UNIVERSUS se interessou pelo meu livro, «Portas Mágicas», e eu tomei a decisão de avançar para a publicação, fi-lo com consciência, depois ter ponderado todas as implicações que isso teria. Quando decidi embarcar nesta aventura, não o fiz para poder acrescentar uma publicação ao meu CV, para poder apregoar que tinha um livro publicado, ou para deixar os trezentos exemplares correspondentes à sua edição a «apanhar pó» nas prateleiras do armazém da editora. Quando decidi embarcar nesta aventura, fi-lo porque queria que as pessoas lessem o meu livro, que vivessem a magia que eu vivi ao escrevê-lo e, sobretudo, que se sentissem inspiradas a abrir as suas próprias portas mágicas. Com este intuito, vesti roupas de viagem, abasteci-me de doses generosas de otimismo, coragem, determinação e persistência, coloquei a mochila às costas e preparei-me para cumprir esta demanda. Como Sara, a protagonista do meu livro, após um breve momento de hesitação, inspirei profundamente, dei o primeiro passo e fiz-me ao pó da estrada.

A primeira paragem que fiz foi no NEYA Lisboa Hotel, na tarde de 15 de dezembro de 2012, o dia do lançamento de «Portas Mágicas». Lembro-me de ter olhado para a sala então deserta e de ter comentado com Maria José Lacerda, «Penso que não temos cadeiras suficientes». Certamente com medo que eu ficasse desiludida e numa tentativa de me ajudar a ajustar as minhas expectativas, Maria José respondeu: «Acha, Marta? Eu gosto da sala assim. Está mais composta…». Continuo a pensar que não temos cadeiras suficientes, disse para comigo, mas anuí com a cabeça, disposta a deixar que o próprio tempo fizesse um argumento a meu favor. E assim foi. Passada meia hora, o gerente do NEYA e vários funcionários tiveram de acrescentar duas ou três filas de cadeiras à sala e de complementar as que já existiam e, mesmo assim, houve muitas pessoas que ficaram de pé. Ao olhar para os rostos que me fixavam, não pude deixar de me sentir maravilhada, pois ali, diante de mim, estavam pessoas de quase todos os meus percursos de vida. Familiares e amigos. Amigos de familiares e familiares de amigos. Amigos de infância e amigos recentes. Amigos de escola e amigos de faculdade. Amigos de perto e amigos de longe. Amigas do ginásio e amigos de trabalho. E, claro, todos os que eu ainda não conhecia e em relação aos quais criei imediatamente a expectativa de poderem vir a ser futuros amigos. Sentada a meu lado, a minha grande amiga Céu Seabra apresentou-me de forma terna e comovente. Cento e quinze exemplares vendidos. E eu num limbo, num espaço e num tempo alternativos. E eu a escrever autógrafos e a esquecer-me de colocar a data. E eu a rabiscar palavras sobejamente conhecidas como que pela primeira vez, com letras a mais ou a menos, num frenesim de principiante. Não podes esperar acertar em tudo à primeira, disse a minha voz interior e, com um encolher de ombros complacente, concordei. No final, uns miminhos doces para agradecer a presença de todos: um bolo alusivo ao livro criado pela minha grande amiga Susana Furtado, e miniaturas de coco e chocolate feitas pela minha mãe. Chegadas as 18h00, tivemos de passar a sessão de autógrafos, as conversas e os bolinhos para a receção do hotel, e já passava das 20h00 quando saí para rua e aspirei o ar da noite. Cumprida esta primeira missão, sorri e retomei a minha caminhada.

Segunda paragem: Livraria Adrião em Mangualde, no dia 23 de março de 2013. Espaço acolhedor, com cem lugares sentados, criado especialmente para receber autores e convidados em lançamentos ou apresentações de livros. Nesse dia, as montras e as prateleiras estavam adornadas com cartazes e exemplares de «Portas Mágicas», apenas uma das muitas amabilidades do Sr. Henrique Silva, da esposa, dos filhos e dos restantes funcionários. Menos gente, mas sala cheia. Muitos familiares e amigos da terra, e os apoiantes de sempre (os meus pais, a minha sobrinha, os meus sogros, a minha amiga Susana, o meu marido e a minha filha). O meu marido, António Ferreira, apresentou-me com a voz embargada por um misto de orgulho e felicidade pelo facto de estarmos a fazer a primeira apresentação do livro na sua cidade. Seguiram-se perguntas interessantes e um debate animado. Contou-se ainda com a presença do Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Mangualde, João Lopes, que dirigiu algumas palavras à assistência, e de Artur Santos do jornal «O Zurara» que, na edição de abril de 2013, publicou uma reportagem sobre o evento. Vinte e sete exemplares vendidos e, desta vez, autógrafos com data, palavras bem escritas e texto coerente. No final, a hospitalidade da Beira Alta patente numa mesa posta com as delícias da terra, na qual não podiam faltar os tradicionais pastéis de feijão (ou «feijões»). Em lugar de destaque, mais um bolo alusivo ao livro, da autoria de Susana Furtado. Depois, festa em casa dos meus sogros para quem quis acompanhar-nos e partilhar mais iguarias, gargalhadas e conversas até às primeiras horas do dia seguinte. Preparada para seguir viagem, coloquei novamente a mochila às costas e parti.

Terceira paragem: Escola Secundária da Lourinhã, a 23 abril de 2013, Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor. As receção e apresentação calorosas foram feitas pelas minhas grandes amigas Brigitte Carvalho e Filipa Silva, que na altura eram professoras estagiárias de Inglês e de Espanhol nesta escola. Auditório (literalmente!) cheio de jovens, alguns dos quais tiveram a coragem de colocar questões e promover um debate. Seguiu-se a atribuição de prémios aos vencedores do concurso de escrita «Portas Mágicas», para o qual eu selecionei dois parágrafos do livro que os alunos tiveram de completar com as suas próprias criações (em inglês ou em espanhol). Muito interessante. Sete exemplares vendidos a professoras e à biblioteca da escola (um empate com Daniel Sampaio, assim me disseram). Autógrafos com datas, palavras bem escritas e texto coerente. Sou quase uma profissional do autógrafo!, pensei, enquanto retomava a minha viagem.

Quarta paragem: Livraria CWorld em Pinhal Novo, no dia 11 de maio de 2013. Vizinhos e amigos de Pinhal Novo e arredores, e a claque do costume (os meus pais, a minha amiga Júlia, o meu marido e a minha filha). Cadeiras dispostas para receber os convidados, cartazes de «Portas Mágicas» pendurados do teto e colados na parede, marcadores de livros «Portas Mágicas» em cima da mesa elegantemente adornada com tons e texturas alusivas ao livro, e montra de livros da Editora UNIVERSUS a separar o espaço de livraria do centro de cópias, criando assim um ambiente intimista e acolhedor. Foram estas algumas das gentilezas facultadas pelo Sr. Correia e pela D. Paula, os donos deste vasto estabelecimento. Sentada a meu lado, a minha grande amiga Rita Freitas apresentou-me com o seu «ABC da Marta Teixeira Pinto» que a todos fez rir. Contou-se ainda com a presença de uma jornalista do «Jornal do Pinhal Novo» que, no dia 14 de maio de 2013, publicou uma pequena reportagem publicitária sobre o evento. Nove exemplares vendidos. Autógrafos fluentes. Já domino isto, disse para comigo e parti.

Quinta paragem: Galeria Municipal de Mourão, no dia 24 de maio de 2013, no âmbito da Feira Popular e Cultural de Maio da vila que inspirou a do meu livro. Sem dúvida o evento mais difícil deste primeiro ano de demanda. Porquê? Foi em estado de quase-pânico que, na manhã da apresentação, me vi sem uma representante da editora e, pior ainda, sem livros para levar comigo. Muito mais tarde, já a caminho de Mourão e com livros na mala, surgiu um problema com o carro e fui obrigada a fazer uma paragem para resolvê-lo. Não há palavras para descrever o horror e a mortificação que senti quando, à medida que as preciosas areias do tempo se escoavam, me apercebi que chegaria com um atraso (ainda que ligeiro) à apresentação do meu próprio livro. Há dias assim, disse para comigo. De nada me valia desperdiçar energia a lamentar-me pelas circunstâncias que me tinham colocado naquela situação. O que tinha de fazer era avisar o organizador do evento, o então Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Mourão, Manuel Carrilho, e os familiares e amigos que me esperavam. Quando peguei no telemóvel, as minhas mãos tremiam ligeiramente e senti a ausência do meu marido e da minha filha como uma ferida aberta no peito. Necessitei de quase toda a coragem que trazia na bagagem para admitir um atraso que era completamente alheio à minha vontade e aos meus esforços e para pedir desculpa por uma sequência de acontecimentos da qual eu não tinha a menor culpa, mas fi-lo. Foi graças ao apoio dos meus familiares e amigos (os que me acompanharam na viagem e os que me esperavam em Mourão) e às inexcedíveis compreensão e simpatia de todos os envolvidos na organização do evento e da assistência em geral que, no final desse dia, pude dizer, «tudo está bem quando acaba bem». E acabou realmente bem! «Portas Mágicas» teve a oportunidade de partilhar o espaço da Galeria Municipal com a Primeira Bienal do Mediterrâneo; a minha tia, Rosa Malhado, fez uma apresentação emocionante (e completamente parcial!) da minha pessoa; e a Câmara Municipal organizou e serviu um Porto de Honra acompanhado pelas doces iguarias da terra que desempenhou um papel tão importante na minha infância, entre as quais estava a minha preferida, o chamado «bolo podre» (uma delícia de mel, azeite e canela que de podre só tem o nome). Onze exemplares vendidos. Muitas fotos tiradas com pessoas simpáticas, entre as quais o então Presidente da Câmara Municipal de Mourão, José Lopes, e a atual Presidente, Maria Clara Safara. Seguiram-se longas conversas com quem escolheu ficar até ao fecho, uma passagem fugaz pela casa que inspirou a da avó Helena de «Portas Mágicas», um jantar tardio com família e amigos num restaurante típico, e uma viagem de regresso iluminada pelo luar das primeiras horas da madrugada. Mais uma missão cumprida. Ajustando as alças da mochila, regressei ao trilho.

Sexta paragem: entrega de um exemplar de «Portas Mágicas», oferecido pela Editora UNIVERSUS, ao Presidente da Câmara Municipal de Mangualde, João Azevedo, no dia 27 de agosto de 2013. Acompanhada pelo meu marido, participei numa muito agradável conversa a três, numa pequena e acolhedora sala do elegante edifício da Câmara Municipal. Mais um livro, mais um autógrafo, mais fotografias.

Nova paragem, novo desafio. No final do mês de outubro de 2013, recebi um telefonema de Maria José Lacerda que me disse que a primeira edição do livro estava esgotada e que seria preciso fazer-se uma segunda edição para satisfazer os pedidos pendentes (Porto Editora, Leya, agrupamento de escolas de Seia, entre outros). «Parabéns, Marta! O seu é o primeiro livro da editora a fazer uma segunda edição», congratulou-me Susana Maurício, pelo telefone, antes de discutirmos as várias sugestões para a nova capa. Depois de duas semanas de trabalho intenso, realizado em parceria com Hugo Souto e Susana Maurício, o miolo e a capa ficaram prontos e «Portas Mágicas» encontra-se neste momento na gráfica, a aguardar a sua vez para ser reimpresso.

No dia 15 de dezembro de 2013, volvido um ano desde o começo desta minha grande aventura e cansada da longa caminhada, parei na beira do trilho, sentei-me sobre o tronco de uma árvore caída, pousei a mochila quase vazia e refleti. Olhei para trás, para os medos e para as dúvidas enfrentados e vencidos, para as aprendizagens que fiz e para as pessoas que conheci, para as oportunidades que aproveitei e para as que perdi, e sorri. Pelo caminho tinham ficado trezentos exemplares de «Portas Mágicas», a totalidade da primeira edição, ao cuidado de pessoas que eu esperava poderem prestar-lhe a maior homenagem que se pode fazer a um livro, que é lê-lo. Pelo caminho tinham ficado muitas palavras de encorajamento e muitas garantias de que o livro que eu escrevera há quase vinte anos continuava a abrir portas mágicas a quem o lia. O balanço era muito positivo e, se eu não fosse uma pessoa incorrigivelmente otimista, diria até que era surpreendente. Assim sendo, não podia dizer que estivesse surpreendida, apenas maravilhada e desejosa de retomar a minha viagem. Olhei para o trilho que me faltava percorrer e que, simultaneamente sombrio e luminoso, encerrava a promessa de mais uma grande aventura. Inspirei o ar doce e fresco, levantei-me, sacudi o pó da estrada e reabasteci-me de doses generosas de otimismo, coragem, determinação e persistência. O caminho é para a frente, pensei. E dei o primeiro passo.


quinta-feira, 14 de março de 2013

1º CONCURSO DE POESIA ALENCRIATIVOS



Já são conhecidos os nomeados para o 1º Concurso de poesia AlenCriativos. Num universo de mais de 400 trabalhos enviados foram considerados 369 na categoria Poetas em geral e 20 na categoria Comunidade escolar.

O anúncio dos premiados ocorrerá no próximo dia 24 de Março, às 15.30h, juntando-se às comemorações do dia da poesia, e terá lugar no Museu João Mário, sito na Travessa São Benedito nº 7, em Alenquer.

Esta sessão contará com a actuação da Associação Musical de Cabanas de Torres e leitura de poemas por Vanda Rodrigues e pelo mestre Ruy de Carvalho

 

Lista de nomeados:

 

Categoria Poetas em geral

 

poema 102 - Faz de conta

Fátima Soares - Corroios

 

poema 111 - Sou

Rita Farias - Carregado

 

poema 113 - Audaz fantasia

Irene da Piedade Henrique Alves Prata - Lisboa

 

poema 122 - Foi assim que nasceu a poesia

Maria Montenegro - Porto

 

poema 124 - Audaz fantasia

Carlos Fernando dos Santos Marques - Barcarena

 

poema 169 - Ego

Fátima Vivas - Forte da Casa

 

poema 199 - Estendal

Andreia Nunes da Costa Canário - Portalegre

 

poema 229 - Esqueci que é pecado

Nanda Rocha - Torres Vedras

 

poema 283 - Mãos gretadas, sentimento puro

Elisabete Lucas - Mafra

 

poema 318 - Confesso

Marta Amaral - Cascais

 

Categoria Comunidade escolar

 

poema 002 - Eclipse a trote

Pedro Guilherme Flausino Mafra Vaz - Ponte de Sôr

 

poema 003 - Alheio

Beatriz Rodrigues Chagas - Lisboa

 

poema 005 - Fantasia

Joana Filipa da Cruz Silva - Alenquer

 

poema 008 - Audaz fantasia

Afonso Duarte Silva Pereira Antunes Raimundo - Lisboa

 

poema 010 - Poeta, despontador duma fantasiosa intempérie

Guilherme Monteiro - Coimbra

 

poema 011 - Audaz fantasia

Jessica dos Santos Barbosa - Lisboa

 

poema 012 - (sem título)

Telma Renata Cândida Pesqueira Ideia - Montijo

 

poema 014 - Audaz fantasia

Madalena Bento Rosado - Alenquer

 

poema 019 - Despreocupadamente

Ricardo José Santiago Rodrigues - Castro Verde

 

poema 020 - Retiro fantástico

Ricardo José Santiago Rodrigues - Castro Verde

 

Todos os nomeados devem confirmar a sua presença ou de um representante na sessão de entrega dos prémios até dia 17 de Março.

Os prémios não serão entregues aos autores ausentes salvo justificação atempada.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

VAMOS FALAR DISSO... MARIA EUGÉNIA PONTE


BookCrossing

Para quem não sabe é uma espécie de clube de livros global, que atravessa o tempo e o espaço.

É um grupo de leitura que não conhece limites geográficos, como se fosse uma Biblioteca Mundial ou uma rede social que pretende conectar pessoas através de livros.

Os seus membros gostam tanto de livros que não se importam de se separar deles, libertando-os, para que possam ser encontrados por outros.

Muitos amantes da leitura pensam que gostar de ler significa amontoar livros já lidos, alguns  não vão ser lidos de novo mas ficam nas prateleiras da estante a acumular poeira.  Os Bookcrosser’s  aprendem a partilhar esses livros e a dar a outros oportunidade de usufruir do prazer de os ler.

Há várias maneiras de o fazer e isso podem descobrir acedendo ao site que, felizmente, já possui plataforma em português.

O endereço do site é: http://www.bookcrossing.com/

Foi lançado em 21 de Abril de 2001, nos Estados Unidos e, a partir daí, espalhou-se por todo o mundo muito rapidamente. O primeiro Bookcrosser português registou-se em 2002. Desde então o número de portugueses tem vindo a aumentar, havendo neste momento mais de 10 000 Bookcrossers portugueses registados. A nível mundial, Portugal é neste momento o décimo país com mais membros.

Eu inscrevi-me no site em 30 Novembro de 2007 e comecei por registar 1 exemplar do meu primeiro livro, Desencontros Virtuais.

O fórum português  (http://www.bookcrossing.com/forum/19 ) é geralmente o primeiro local onde se tem contato com os restantes membros. Aqui os bookcrossers portugueses podem trocar impressões sobre os livros que lêem, recomendar autores e descobrir novas leituras. Mas, mais do que isso é também um ponto de encontro de uma comunidade centrada à volta da leitura. Aqui criam-se amizades que duram para uma vida. Mais ativos nos bookrings e nas trocas do que propriamente na libertação de livros (podem pesquisar no site o que são os bookrings e as trocas de livros), os Bookcrossers portugueses nunca deixam de promover ações a nível nacional como a convenção anual, encontros, piqueniques, passeios e libertações em massa, onde não só se tenta espalhar a missão do Bookcrossing (transformar o mundo numa biblioteca), mas também se reencontram velhos amigos.

Foi no fórum que, pouco a pouco, fui entendendo o espirito do BookCrossing.  Um dos membros aconselhou-me a colocar o meu  livro em BookRay ou BookRing, explicando que a diferença era que no 1º caso o livro era lido pelas pessoas que se inscreviam para tal e, no fim, seria libertado num lugar qualquer para que alguém o encontrasse e no 2º caso, o livro voltaria para o seu dono.

Resolvi colocá-lo na 1ª.opção e lá seguiu ele para a 1ª.pessoa que se inscreveu (de um total de 29).

Entretanto, registei outro exemplar mas para esse experimentei a verdadeira essência do BookCrossing que consiste em permitir aos livros encontrar novos leitores.

A libertação do livro é o passo principal, consiste em deixá-lo num local onde possa ser encontrado para que possa ser lido e podemos seguir o seu percurso se a pessoa que o encontrar entrar no site e registar que está em seu poder e deverá voltar a "abandoná-lo" quando terminar de o ler, deixando a sua opinião sobre o livro.

Por isso, antes de libertar um livro, convém identificá-lo correctamente, para que o próximo leitor saiba que se trata de um livro do BookCrossing, e que deve vir ao site dar notícias dele.

Depois da minha primeira experiência, com  livros da minha autoria que, curiosamente, acabaram por ir parar ao Brasil, registei no site os livros da minha estante e, a partir daí, tenho lido, emprestado, libertado… enfim, a minha relação com os livros nunca mais foi a mesma. Neste 5 anos de BookCrossing  muitas histórias curiosas poderia contar-vos mas iria alongar-me demasiado.

Neste momento, já não sou tão presente no movimento  mas, sempre que posso, aconselho-o pois foi graças ao BookCrossing que descobri novos autores e novos géneros literários que nunca tinha experimentado, recomendados por quem realmente gosta de ler e que não tem intenções comerciais. Por outro lado, posso partilhar com outras pessoas as minhas leituras, negando a tradicional ideia de que a leitura é um ato isolado. E claro, não posso esquecer a grande emoção que é receber um email com notícias de um livro libertado na rua, saber que encontrou novos leitores e que fez alguém feliz.

Claro que devemos ter sempre em conta o facto de que ninguém é obrigado a emprestar livros da sua biblioteca pessoal, e muito menos somos obrigados a enviar os nossos livros a alguém que facilmente os encontra numa biblioteca municipal.

O que o BookCrossing permite é a criação de um sentimento de partilha e isso é muito gratificante.

A descoberta deste verdadeiro mundo é uma experiência única para quem gosta de ler e de partilhar esse gosto.

MARIA EUGÉNIA PONTE