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sábado, 5 de janeiro de 2019

IN-FINITA APRESENTA... POEMAS DE MEL E LIMÃO


Por vezes o melhor que podemos fazer por um livro, e seu autor, é dar a conhecer a primeira impressão. Assim sendo, aqui fica o prefácio que Célia Maria Magueijo escreveu para o livro, POEMAS DE MEL E LIMÃO, de Vítor Costeira.

Esta é uma obra onde o autor nos brinda com a sua essência, sempre numa constante partilha pelo gosto das palavras sábias e amigas.

Os poemas de mel e limão sugestionam o leitor para algo, como o título nos faz crer, por vezes ternurento e outras acerbo. É nesta mescla de sabores, de latitudes mais ou menos próximas onde podemos reconhecer a beleza das palavras sempre com uma paixão que arde sem se ver, mas que se sente a cada frase.

Cada poema é uma ode ao amor.

Convido-vos a, durante a leitura, saborearem cada palavra como se degustassem o doce mais apetecível, juntem um pouco do sabor mais acre e, apurando os sentidos, uma sensação de ternura irá evidenciar-se com um sorriso a cada palavra, cada frase, cada poema. Os dois indissociáveis conteúdos que formam o imaginário do autor.

Nesta obra, Poemas de Mel e Limão, encontramos um ser maior que existe para lá de nós, manifestando-se através de uma leitura profunda, convidando cada um a imergir em si mesmo, na tentativa de descobrir onde reside o Mel e o Limão, onde podemos melhorar a cada dia, reconhecendo que podemos singularmente sentir um profundo agradecimento para com o autor por este magnifico exemplo de transformar, de fundir, duas formas em contraste em uma só escrita.

A escrita é divindade poderosa e vincada nas letras desta obra sublime.

O autor dilacerou a pele e deu-nos um dicionário dos verbos Ser, Amar, Existir, Agradecer.

Citando, Antoine de Saint- Exupéry, “… Não existe nada igual ao sabor do pão partilhado”.

Obrigada Vítor Costeira.

Célia Maria Magueijo


quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

IN-FINITA DIVULGA... A MEMÓRIA É UM PEIXE FORA D'ÁGUA


A densidade dramática em A memória é um peixe fora d’água, de Patrícia Porto.

O novo livro de Patrícia Porto é um livro de contos. Editado pela Penalux neste ano de 2018, A memória é um peixe fora d’água apresenta quadros corriqueiros que ganham densidade dramática. O livro é dividido em três partes chamadas aqui de tombos (Os ossos no porão – 19 contos, Os crônicos – 5 contos e Fogaréu no céu, exílio na terra – 10 contos), totalizando 34 contos curtos, mas que apresentam a tensão trágica própria do drama. E não poderia faltar a referência aos mitos em vários contos. Massaud Moisés em seu Dicionário de Termos Literários, assim disse: “No tocante à linguagem, o conto prefere a concisão à prolixidade, a concentração de efeitos à dispersão”. Temos nesses contos admiráveis a concentração de efeitos literários e complexos que adentram nas camadas mais profundas de nossa individualidade, fazendo o diálogo entre os elementos exteriores e interiores. Os contos ganham densidade psicológica num curto espaço de tempo, eis a estratégia narrativa desta grandiosa escritora Patrícia Porto.

No conto “Coturno 36”, temos a figura da personagem que é uma moça que quer usar um coturno 36 e pede ao padrasto esta incumbência de conseguir para ela este objeto de cunho masculino, já que no Dicionário Houaiss se diz que o coturno é uma bota de soldado. O machismo do pai mostra o preconceito com relação a este desejo da moça. E mais uma vez aqui a referência ao teatro se faz presente, pois num dos significados de coturno no mesmo Dicionário se revela o seu uso antigamente por atores nas representações, especialmente nas tragédias. Esse objeto mostra uma imponência de quem o usa, figuradamente. A personagem demonstra seu poder e força ao se comparar à figura do homem. É uma mulher fálica que quer se sobressair perante o machismo do padrasto. O final é surpreendente, deixando-nos impactados diante do poder desta moça imponente. O padrasto fala: “E tu é homem? Vai usar coturno pra quê?” Com seu dinamismo masculino-feminino, a moça resolve a questão pela agressividade e violência. No sentido figurado, o uso do coturno representa nobreza, muita importância e imponência.

No conto “Ícaro”, mais uma vez a presença da densidade dramática, típica da tragédia, mas que é iluminada pela força figurativa desses ricos e profundos contos. A personagem diz: “Ícaro morreu aos sete meses dentro da minha barriga”.  E continua: “Fiquei anos me odiando pela escolha desastrosa do nome”. A ideia de culpa é uma dos elementos desse conto magistral. Ícaro queria voar além, até o sol, e, por isso, ganha o abalo de sua queda trágica. As imagens da vida e morte, nascimento e queda, comparecem neste belíssimo conto. Aqui os símbolos da subida e da descida, da anábase e da catábase se espelham paradoxalmente. A ensaísta Danielle Perin Rocha Pitta, no texto crítico “Iniciação à teoria do imaginário de Gilbert Durand”, assim disse sobre este importante teórico das estruturas antropológicas do imaginário com relação aos símbolos metamorfos: “São aqueles relativos à experiência dolorosa da infância. A queda tem a ver com o medo, a dor, a vertigem, o castigo (Ícaro). Mas a queda frequentemente é uma queda moral (pelo menos no Ocidente) e tem então a ver com a carne, o ventre digestivo e o ventre sexual e daí, com o intestino, o esgoto, o labirinto, e o cair-se no abismo, e o abismo pode ser tentação.” O gerar a vida tem cheiro de morte e a ideia da culpabilidade materna se apresenta neste conto dramático e simbólico.

No conto “O método”, temos a tensão entre dois seres, um casal, homem e mulher. Encontramos a reciprocidade e o paralelismo, a mesma moeda com que se paga na relação entre ambos. Com seres tensos como numa corda esticada para os dois lados, vemos a tão intrigante “guerra dos sexos”. Ele se apresenta como desinteressado pelos gostos e assuntos da mulher. A incomunicabilidade dele forma uma teia de aranha entre os dois, minando o relacionamento conturbado: “Claro que ele não acredita em nada do que eu digo. Nem eu acredito em nada do que ele diz”. A palavra “paz” cria um clima denso, na verdade. Há uma reversibilidade irônica, pois, na verdade, não é a paz que impera no casal, mas sim o conflito. Ele se caracteriza pela secura, sem amor, até mesmo no sexo, que se tornou uma coisa mecânica, por obrigação dele. Ele tem todo um método. E por isto, ela vai tentar reconfigurar o espaço deles e não consegue. Ela tenta redesenhar o relacionamento pelos objetos da casa, mas não se sente confortável e tudo volta para o mesmo lugar. Ela consegue criar seu próprio método, pois não consegue se adaptar ao método dele. Por isto ela flerta com a literatura, com a linguagem simbólica, para que a realidade não a deixe cair por terra. Enquanto ela é sentimento, ele é frieza. A tensão está configurada e ela tenta driblá-la com a criatividade. A solidão, o vazio e a incomunicabilidade se perdem no tempo da eternidade. Ela escreve poesia para matar o tempo. Ao contrário do amor, o desamor ganha força: “O amor que não existia dentro do caderno. Nem mesmo o amor menor. O desamor era tudo”.

Em “O nascimento de Vênus”, encontramos o contraste entre o trágico e o cômico, mas não deixando de lado o questionamento da personagem na sua crença ao esoterismo, à astrologia. No mapa astral, a personagem convive durante anos com o ascendente errado e após o descobrimento destas veredas “reais” tem um choque, fazendo-a entrar em conflito com relação aos seus apegos ao misticismo e, num tom, de niilismo, ela questiona a crença a partir do vazio e do desapego: “Descobri desta maneira um tanto pitoresca o quanto nos apegamos às coisas, as mais incrédulas, as menos questionadas, creio”. Paradoxalmente, no final das frases, ela utiliza uma ironia ácida, a palavra “creio”, que, na verdade, revela a descrença da personagem com relação à vida e seus percalços. A tensão aqui não ocorre entre dois seres, mas no interior dúbio e ambíguo da personagem que tem uma referência errada que quebra com seus padrões de verdade. Há uma contradição entre o que ela é, sua personalidade, sua persona, com relação à máscara trágica, sua aparência. Questiona o ascendente por não ter a ver com ela. A astróloga conta o mito de Afrodite para ela e a questionadora recoloca o mito de acordo com seu ponto de vista, havendo um jogo psicológico tenso e denso em sua persona. A ressignificação do mito por Patrícia Porto é excepcional neste conto, ganhando toda sua força dramática: “O caminho da verdade é a dialética”. Assim, temos a personagem e seus fantasmas, suas questões. Mas, por outro lado, a personagem conclui que deve haver uma boa dose de “fantasia” na nossa vida para que o real não nos choque com sua descrença. No final do conto, de forma surpreendente ela busca a ciência, o ponderável, “o equilíbrio libriano”, por assim dizer. Como não nos lembrarmos aqui do conto “A cartomante”, de Machado de Assis. Aqui a referência é marcante.

No conto que fecha o livro, “A gata amarela”, temos a imagem paradoxal da violência e proteção, ao mesmo tempo, na imagem de uma gata prenha que tem os seus filhotes. Aqui, temos um conto dentro do conto, criando um grande impacto literário: “Quando nasci fui adotada por minha avó, a mãe de todos”. Num processo de seleção, a personagem vai contar aquilo que foi mais importante na sua infância, o que mais a impactou, pois o conto conciso revela uma grande concentração conteudística que se reconfigura em várias chaves de interpretação, criando-se assim um quadro vivo e dinâmico em toda sua expressão que navega nos múltiplos espelhos das questões que nos são mais urgentes. O filhote, o que é rejeitado pela mãe é que é acolhido pela menina que se surpreende com o fim trágico do pobre animalzinho: “Digo isto pensando que sou filha da sorte: sobrevivi para contar esses sonhos, delírios, memórias, causos, esses ossos todos da gata amarela. Guardem aí nos porões dessas casas barulhentas”.

Portanto, Patrícia Porto consegue aliar a imagem da extensão de sua profundidade poética a textos curtos que nos têm muito a dizer com seus jogos de espelhamentos, paralelismos, contrastes, ironia, numa linguagem rica em significados que vão deixar marcas nos leitores atentos. A força da dramaticidade densa de seus textos reconfigura a potência do conto que ganha ares de relevância em meio ao caos da realidade. A persona e a máscara se densificam nas finas letras desta escritora que tem muita complexidade em seus contos concentrados que revelam a dimensão do mito e da realidade. Ela une os dois num jogo tenso, mostrando que a literatura tem muito a dizer para seus leitores. Que ela ganhe cada vez mais receptores, ávidos por sua primorosa literatura que arranca do abismal a sua potência de arte verdadeira.

ALEXANDRA VIEIRA DE ALMEIDA

Alexandra Vieira de Almeida é Doutora em Literatura Comparada pela UERJ. Também é poeta, contista, cronista, crítica literária e ensaísta. Publicou os primeiros livros de poemas em 2011, pela editora Multifoco: “40 poemas” e “Painel”. “Oferta” é seu terceiro livro de poemas, pela editora Scortecci. Ganhou alguns prêmios literários. Publica suas poesias em revistas, jornais e alternativos por todo o Brasil. Em 2016 publicou o livro “Dormindo no Verbo”, pela Editora Penalux.
Contato: alealmeida76@gmail.com

“A memória é um peixe fora d’água”, contos. 
Autora: Patrícia Porto 
Editora Penalux, 98 págs., R$ 36,00.
Disponível em:
E- mail: vendas@editorapenalux.com.br

Fonte:

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

IN-FINITA APRESENTA... MADALENA E O SAGRADO FEMININO


Madalena e o Sagrado Feminino aos olhos de Thiago Fonsêca

Se Maria Madalena não teve seu lugar assegurado nos versículos dos sagrados livros cristãos, esta obra poética garante os versos necessários para apresentar esta mulher, fundamental para compreendermos o sagrado feminino, usurpado de nós por tantos dogmas e austeras vozes masculinas.

A literatura tem esta beleza, a de nos revelar os possíveis e impossíveis da história, a de subverter realidades e alargar nossos horizontes. O que Manoel Fonsêca faz é mais do que estrofes e rimas, sua escrita nos oferece um novo imaginário, o qual aceitamos de bom grado através de uma leitura fluida, fácil, embora possa soar incômoda aos que insistem em não ler as boas novas.

Esta obra afirma o Feminino dentro de uma tradição religiosa que se iniciou com a crucificação de um homem e se perpetuou com a condenação à morte de inúmeras melhores. Talvez olhando para Maria Madalena encontremos também a redenção para Jesus, geralmente representado numa imagem melancólica, cabisbaixa, com os braços tristemente abertos.

O amor de Madalena é para permitir o abraço incompleto, levantar nossa cabeça e ressuscitarmos. É a nossa redenção, homens e mulheres de todo o mundo. Este livro é um convite para o amor divino realizável na terra.

Thiago Fonsêca

Professor de Meditação e Aprendiz Espiritual.

Conheça um pouco mais sobre o autor neste link

Contacto para adquirir o livro e-mail:  mdfonsecan@gmail.com

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

ADRIANA FALA DE... PATRÍCIA PORTO


Os caminhos conduzem não só os nossos passos, mas daqueles que precisam fazer parte da nossa história, e foi por um desses caminhos que encontrei e depois reencontrei Patrícia Porto. O primeiro olhar foi de admiração pelo gigantismo dessa Pequena Grande Mulher, ao falar e apresentar, na época, o seu mais recente livro Diário De Viagem Para Espantalhos E Andarilhos: Poemas E Notas De Sobrevivência. Depois, veio a curiosidade em conhecer um pouco mais da escritora, poeta, professora e, como afetos e afinidades não se explicam, fomos ficando confortavelmente uma na vida da outra, seguindo nossos passos e caminhos em paralelo, mas sempre interligadas, de uma maneira ou de outra. Falar de Patricia para mim é fácil, pois a imensidão que traz na alma e na mente sempre em ebulição daria para escrever todos os dias sobre suas produções, movimentos, lutas e vivências. Mas isso deixo para outro momento, quem sabe, tomo coragem e dedico-me a essa ideia que passou como relâmpago por aqui agora.

Hoje quero apenas registrar um pouco da Patrícia Porto, que estará entre nós, em Lisboa, dia 26 de janeiro lançando o seu mais recente livro  MEMÓRIA É UM PEIXE FORA D'ÁGUA, pela editora Penalux. Ainda com os rastros adocicados que o sucesso do livro de poesias CABEÇA DE ANTÍGONA, na segunda edição, deixou nesse caminhar.  E temos que celebrar um ano de uma parceria que tem dado muito certo, com a assessoria literária da In-Finita em Lisboa.

Poderia fazer mais uma entrevista com a autora, mas achei melhor pegar alguns fragmentos de sua biografia e apresentá-la assim, de uma forma mais didática e menos informal.

Patrícia de Cássia Pereira Porto, Professora e Pesquisadora no/do Ensino Fundamental (EJA). Escritora, poeta e cronista.
Rio de Janeiro.
Doutora em Educação pela UFF no ano de 2009 com a tese: “Narrativas memorialísticas: Por uma arte docente na escolarização da literatura” (publicada em 2010). Atualmente tenho como tema de pesquisa e trabalho pensar uma didática que possa trazer em si a ação de reinventar as experiências cotidianas da sala de aula, retirando delas determinados costumes que de tão naturalizados nos levavam ao não-questionamento e a não-curiosidade em relação ao nosso próprio fazer. A narrativa neste caso foi tratada como reinvenção de si na composição da história narrada na História humana, propondo assim a recuperação da memória singular e coletiva como possibilidade de transformação do ser e do fazer em sala de aula. O desafio de pensar a leitura e a literatura na escola surgiu então balizado pelo desafio de compreender como os professores na relação com o seu metapoeisis vivenciavam suas práticas e as tantas linguagens que delas provinham, linguagens que diziam e dizem de perto aos fluxos memorialísticos das palavras e imagens que compõem o que eles chamavam real juntamente com o que reinventam ou re-significam feito lembrança do vivido. Nesse sentido, me importava e importa problematizar metodologias existentes e pensar numa perspectiva pedagógica lúdica a favor da ousadia e da concretização de uma escolarização encarnada, sensível, atrativa e experimental – sem perder o rigor, a curiosidade e o desejo de mudança.
Estive na idealização, coordenação, implementação e execução dos projetos “Oficina de Leitura /Produção Textual”, "Ensinar português para quem FALA português" e também na execução do projeto “Reintegração” (PMSG), voltados para crianças das séries iniciais.
Hoje desenvolvo o Projeto LER pra VER e VER pra LER, voltado para alunos do EJA
.

Patrícia possui um poço infinito de águas claras e profundas de saber, conhecimento, arte, talento e vivência, e o que mais admiro é a simplicidade, a humildade, a alegria e sua forma de ser e estar, sempre atenta, contribuindo de uma forma ou de outra para um engrandecimento pessoal e cultural de quem cruza o seu caminho. E toda a minha gratidão por fazer parte dessa caminhada.

Indicada pela UFF ao Prêmio Capes de Melhor Tese do Ano (em 2009) pelo livro Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte Docente na Escolarização da Literatura. Graduada em Letras (Português e Literaturas) pela Universidade Federal Fluminense, pós-graduada em Alfabetização de Crianças das Classes Populares, mestre em Educação no Campo de Confluência de Estudos do Cotidiano e da Educação Popular (com a dissertação O Livro: Literatura entre as tramas da linguagem, memória e narrativa) e doutora em Políticas Públicas e Educação. Durante o mestrado e o doutorado foi bolsista da Capes e do CNPq. Integrou os grupos de pesquisa Linguagens, Leituras e tecnologias na escola, na UERJ e Política de Formação de Professores: Cultura, Memória, Narrativa e Imaginário, na UFF. Publicou vários artigos acadêmicos em periódicos no Brasil e no exterior, além de capítulos de livros. Lecionou, ainda, nas universidades UFRJ, UFRRJ, UERJ e Uniabeu, na área de Educação e Letras. Publicou quatro livros, sendo três de poesia (Sobre Pétalas e Preces, Diário de Viagem e Cabeça de Antígona) e um acadêmico, que teve como base a tese de doutorado. Foi Coordenadora e Professora-Pesquisadora do NUEC UFF, no Curso de Especialização em Educação de Jovens e Adultos na Diversidade e Inclusão Social, sendo a responsável pelo módulo de orientação de TCC. Possui mais de 23 anos de experiência como docente, tendo lecionado para alunos de todas as faixas etárias, desde a educação infantil até a pós-graduação. Durante este período criou e coordenou vários cursos, oficinas e eventos que buscavam despertar o interesse pela leitura nas crianças. Mantém o blog Literamargens, dedicado à literatura e temas afins. Pertence ao Corpo Editorial da Revista Uniabeu. Atualmente é pesquisadora e colaboradora na ANF atua como pesquisadora no Projeto Portinari, PUC, e integra o coletivo Mulherio das Letras.

Com toda a minha admiração, recomendo: leiam e conheçam Patrícia Porto.

DRIKKA INQUIT

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

EU FALO DE... O BANCO AMARELO DO ARPOADOR

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA AUTORA
Podem conhecer a autora neste link


Dois seres que se cruzam no acaso do destino e se complementam, pelo menos a espaços, movidos por ânsias de mudança e pelo amor que sempre sonharam. Duas histórias particulares que, apesar das diferentes vivências, os aproximam.

Um homem, longe de casa, tenta reencontrar-se e procura, no exotismo de outro continente, colmatar as carências que sente. Mas tocado pela dúvida deixa-se reprimir pela razão que a idade lhe concede. Uma mulher tenta refazer-se, após ter sido tocada pela tragédia mais dilacerante que qualquer ser humano consegue suportar, e assim retomar os trilhos da vida que acredita merecer.

Ele encanta-se pela beleza, jovialidade e o modo extrovertido dela. Ela apaixona-se pelo charme, elegância e a atenção que ele lhe devota. Ambos deixam-se enredar pelo apelo da carne e limitam-se a viver apenas os momentos de intimidade que partilham. Quando juntos, o mundo parece reduzir-se a eles. Nada mais existe. Eles são tudo o que respira e vive.

No entanto, nele existe uma tremenda luta interior entre a descrença nos sentimentos e a possibilidade de finalmente ser feliz. Por mais que queira cortar as amarras que o prendem, há sempre algo que o faz recuar.

Nela sobressai a necessidade de um ombro que a conforte, ampare e ajude a olvidar o sofrimento do passado. Ela acredita ter encontrado nele o porto de abrigo que procurava.

Pouco a pouco, nem sempre de forma intencional, cada um deles vai dando sinais dos seus fantasmas. Ela fala abertamente sobre o que sente, ele revela acidentalmente o que o atormenta. Ela tenta superar as diferenças entregando-se cada vez mais. Ele tenta reprimir-se e usa qualquer pretexto para que a relação fique estanque. Ambos querem um futuro diferente mas... enquanto ela faz acontecer, ele insiste em deixar a razão do medo sobrepor-se ao desejo da felicidade.

Ela afasta-se mas conserva a esperança de manter o relacionamento porque o ama sem reticências e, cada vez mais, acredita que o destino é ficarem juntos. Ele nega interesse para lá do platónico mas sofre com a ausência dela. Ele vai atrás dela. Ela recebe-o de braços abertos. Ela quer. Ele nega querer. Ela insiste e ele, apesar das evidências e dos sintomas, persiste na negação. Contudo, existirá sempre o banco amarelo do Arpoador a uni-los.

O vento, o mar, os cheiros, os sabores, as cores e a luz do Rio de Janeiro. Tudo isto faz parte do cenário tropical que a autora, Deborah Almeida, usou para criar o enredo desta história de amor, que pode ter muitos finais. Entre encontros e desencontros, ela teceu e entrelaçou as vidas dos dois personagens, de modo tão natural que, até as atitudes, porventura, mais insensatas e pitorescas nos parecem verosímeis. Para tal desiderato, talvez não seja estranho o facto do personagem masculino, um anglo-saxónico, ser também o narrador: isto é, a história que nos é contada, neste livro, é a versão dele. Ficamos a saber as suas percepções sobre os episódios vividos enquanto casal que quer ser mas, por vontade dele, ou por força das suas incertezas, dificilmente será. Ficamos a conhecer as qualidades e defeitos que ele vê nela, e do inverso apenas as suposições dele. Assim, ao lermos cada linha, somos acometidos pela curiosidade de saber se a versão dela seria a mesma.

Seja como for, e em resumo, este O BANCO AMARELO DO ARPOADOR - uma breve história de amor, tem 84 páginas, divididas em 28 capítulos, que se lêem num fôlego e faz-nos desejar que a autora, um dia, nos brinde com outro romance da mesma história mas com a narração a ser feita pela personagem feminina. Fica o desafio apenas porque fiquei curioso...

Recomendo, sem reservas, este livro de Deborah Almeida

Breve biografia da autora:

Deborah Almeida (1961) nasceu em Porto Alegre. É bacharel em Direito e aficionada pela leitura e a escrita. A aposentadoria em 2015 alavancou o início à carreira literária, escrevendo contos, crônicas e romances.

Os interessados podem adquirir o livro através deste link

MANU DIXIT

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

IN-FINITA APRESENTA... BENDITAS & GUERREIRAS


LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELO AUTOR

A seu modo, guerreiras e benditas, todas são certamente divindades.

A seu modo, ou a modo dos devotos, traçaram caminho diverso, torto mesmo, e outros resolveram segui-las. Transfiguraram-se em trilhas, modus vivendi, horizontes.
As mortais, deusas transmutadas em vida, fascinam mais. Inventaram-se desnudaram-se, revestiram-se de concreto e doçura. Não derivaram da imaginação alheia, mas da delas, decerto. Ao contrário, foram forjadas pela vida, tão inimaginável e tão presente. E umas viram-se nas outras.

Sobre elas, o médico Manoel Fonseca pesquisa, indaga, faz a anamnese, mas foge da terapêutica, não prescreve tratamento, até porque são hígidas (ou não) e, no receituário, prefere, para bem delas e nosso, recitar sonetos.

Já o poeta Manoel admira-as de longe, lusco-fusco de fantasia e realidade. Ensaia aproximação, troca mesuras, corteja-as, relata-nos suas façanhas, idealiza encontros e dele nascem sonetos.

Poesia e mulher, tantas vezes confundidas, embaralhadas (e embaladas) numa só. E uma alimenta-se na outra. Rima e cabelos, trova e pernas, redondilha e ancas, madrigal e sedução, enjambement e cavalgada.

E o poeta alimenta-se de todas. Fagocita e, em versos, as coloca no altar, santifica as guerreiras e humaniza as benditas.

Para a nossa adoração.

Felipe Barroso
Pastorador de Nuvens

Benditas & Guerreiras de Manoel Fonseca

Composto de 46 poemas divididos em quatro idades históricas: a Antiga, a Média, Moderna e Contemporânea, “Benditas & Guerreiras” acrescenta mais uma: a das deusas primordiais. Aquelas que antecederam a própria História. Pótinia da Turquia, por exemplo; Pacha Mama, do Chile que, como a outra, também se confunde com uma mãe universal; Cy, a deusa mãe brasileira; Iemanjá e Iansã, da África, e Brígida, uma deusa celta. As outras deusas, mais orientais, seriam Amaterasu, do Japão, e Aditi, da Índia.

Dividida em várias partes, “Benditas & Guerreiras”, de Manoel Dias Fonseca Neto, é uma homenagem às mulheres na história da humanidade. “Este livro, diz ele, logo no início, nasceu de uma indignação intelectual”. E explica. Afirma que sua mulher, Iracema Serra Azul, ficou perplexa quando percebeu que a maioria das deusas, na mitologia antiga, eram do sexo masculino e não feminino. Para dar mais evidência às deusas e às mulheres da História, por extensão, sugeriu ao marido, Manuel Fonseca que, além de médico e mestre em Gerenciamento de Sistemas Locais de Saúde, também é poeta, publicar um livro no qual as divindades e os heróis femininos e não masculinos fossem destacados. Foi assim que surgiu “Benditas & Guerreiras”.

Saibam mais do autor e do livro neste link

BENDITAS & GUERREIRAS - MANOEL DIAS DA FONSECA NETO - EXPRESSÃO GRÁFICA E EDITORA LDA


ASSESSORIA LITERÁRIA IN-FINITA

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

FALA AÍ BRASIL... PATRÍCIA PORTO (XXX)

Tempos de Bauman

Vivemos numa cibersociedade. Ainda é possível encontrar culturas agrafas? Raras por certo. O que está realmente na ordem do dia são as novas sociabilidades, as relações ou conexões cibernéticas. Quando algo dessa natureza acontece feito avalanche em termos de rapidez e descarte, vai se tornando mesmo difícil encontrar, desenvolver um código de gentilezas. Não falo em ética, algo mais profundo na escala do conhecimento. Falo de gentileza, porque é o que vem dessa esfera mais à derme do humano. Também não falo em humanismo, outra demanda conceitual. Quero falar da gentileza que está na base primeira do conviver - viver com. Gentileza como ação cotidiana, a da rotina mais usual entre os seres. O gesto, uma palavra de afabilidade, um aceno, um elogio, um gesto herdado do levantar dos elmos diante mesmo do inimigo.

Penso nessas relações líquidas, frágeis, instantâneas, das novas sociabilidades que giram nas mídias sociais e confesso sentir antipatia pelo desrespeito, por mensagens que agridem, causam dor. Claro que o ódio sempre existiu, mas a dinâmica das redes sociais amplificou, tirou do armário os que ainda tinham certo constrangimento de expor o machismo, racismo, xenofobia, fascismo etc. Mas sobre a gentileza há algo mais sutil e não menos perverso. A falta de gentileza é a falta do mínimo necessário, a falta de algo como ser "polite".

E com as mulheres há algo a ser estudado realmente, porque a falta de generosidade se expressa pela falta de sororidade, de empatia, por certa crueldade internalizada do patriarcado. O que aconteceu com Dilma, o que acontece hoje com Manuela, Marcia Tiburi são exemplos cognitivos a ser pesquisados.

É tudo muito fluído, efêmero, volumoso e raso, paradoxal. Sou de uma geração de transição. Vivemos o analógico. Sabemos da ampulheta e temos alguma ideia de finitude, creio.

Logo tudo isso será passado. Mas o hoje já está chegando com esse (des)gosto de algo (mal) passado. E dá uma melancolia não encontrar neste equipamento tão interessante, algum tipo de fóssil bonito e necessário que abrigue a gentileza. Dá dó do presente.

Patrícia Porto

mini-Biografia: Patricia Porto

Graduada em Literaturas Brasileira e Portuguesa, Doutora em Políticas Públicas e Educação, professora e poeta, publicou a obra acadêmica "Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte Docente na Escolarização da Literatura” e os livros de poesia "Sobre Pétalas e Preces" e "Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos". Participou, ainda, de coletâneas no Brasil e no exterior, integra o coletivo Mulherio das Letras e é colaboradora do portal da ANF (Agência de Notícias das Favelas). 

Assessoria Literária IN FINITA

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

IN-FINITA APRESENTA... NA PELE DA PALAVRA


Por vezes o melhor que podemos fazer por um livro, e um autor, é dar a conhecer a nossa primeira impressão. Assim sendo, aqui fica o prefácio que José Fernando Delgado Mendonça escreveu para o livro, NA PELE DA PALAVRA, de Susana Nunes.

A Susana Nunes gosta de misturar o erotismo com o divino. As suas metáforas são feitas verso a verso. Gosta de palavras, de muitas palavras, que muitas vezes nos levam para o abismo. Conta histórias como se de sonhos se tratasse. Gosto de ler devagar os versos que escreve porque gosto da sua loucura poética que nos leva para longe quando pensávamos poder ficar apenas entre quatro paredes. A Susana diz “não quero amar-te a vida toda porque a vida toda é muito tempo” pois gosta de saborear e de endeusar os pequenos instantes da vida. Somos amigos destes tempos de hoje que nos permitem conhecer apenas a alma, os sentimentos e as emoções de quem escreve e sentir que a amizade pode ser construída assim, verso a verso, versos que chegam até nós a todo o momento. Ofereço este poema à Susana Nunes para exprimir o que penso da forma como escreve.

pintas o futuro de vermelhos
e eu não sei que te diga
o teu sangue ferve
a tua alma transborda
e eu não sei que te diga

falas de veredas
e de estrelas escondidas
no fundo do mar
aí sim havemos de nos encontrar
e o vento, se vento houver, dirá:
são dois amigos
que um dia tentaram
mas não conseguiram
escrever um poema a duas mãos

josé fernando delgado mendonça - 2018/10/08


ASSESSORIA LITERÁRIA IN-FINITA

domingo, 18 de novembro de 2018

ADRIANA FALA DE... À PROCURA DE MIM

Por vezes o melhor que podemos fazer por um livro, e um autor, é dar a conhecer a nossa primeira impressão. Assim sendo, aqui fica o texto, de Adriana Mayrinck, lido na Biblioteca Municipal de Setúbal, no lançamento do livro, À PROCURA DE MIM, de Isabel Bastos Nunes


Procuro-me na minha sombra, mas não me encontro.
Procuro-me em tudo o que fiz e perco-me no abstracto,
De uma vida em que tudo tentei, nada colhi.
Por isso, ainda ando à procura de mim.

Palavras que deslizam como corredeiras no processo criativo e que surgem da sensibilidade cotidiana de factos vivenciados, olhar crítico e da busca incansável pelas lembranças que acalentam noites solitárias ou dias intensos de atividades, assim é À PROCURA DE MIM de Isabel Bastos Nunes. Um relicário de percepções, indagações e registros de uma autora realista que pincela com lirismo, e com a sutileza de escrita bem cuidada, seja em um poema ou em prosa poética, sentimentos represados, extravasados ou simplesmente, observados que invadem a noite e a esperam em um canto de seus pensamentos a hora do encontro com a folha em branco. Um encontro prazeroso, mas exigente e nem sempre muito fácil de se chegar a satisfação total, sem desistências ou intimidações, onde a última palavra e o ponto final são permitidos após a convicta certeza de que se chegou aonde queria.

E Isabel chegou. Aonde tem que estar, na hora exata, na maturidade de sua produção literária. Trouxe pelo caminho, lembranças recolhidas em cada passo dado, em cada sorriso, em cada lágrima, em cada momento vivido, percorridos pelas estradas e atalhos que a vida lhe fez passar. Uniu tudo em palavras, em tempos, em fases de uma existência incansável pela procura de si mesma. Uma procura inquieta, solitária e infinita. A Autora em sua contracapa descreve que nada colheu, talvez sim, talvez pela generosidade de sempre ter espalhado sementes, doado solidariedade, entregue gentilezas. Pois, assim é a alma daqueles que sonham e não se conformam com os limites impostos pela vida, pela sociedade, pelo corpo, ou pelo tempo. Assim é a construção de uma autora, que aprende, lapida e aperfeiçoa, em cada nova criação, e que almeja alcançar na sua escrita o conforto de quem agradou e ultrapassou a si mesma, para, depois, acarinhar e aconchegar àqueles que lhe acompanham. E isso, Isabel sabe fazer com maestria.

À PROCURA DE MIM, tem 85 poemas que subdividem-se em dez tempos ou fases. Como nas fases do cotidiano, nas lembranças, no amor, nas inquietações, nas emoções, nos questionamentos, nas expectativas, nos silêncios e no encontro consigo mesma, esse talvez adiado, pela sede de experimentar o desconhecido e desafiar os seus limites e sentidos:

Procuro o Teu Olhar – 13 poemas
Lágrimas da Alma – 7 poemas
Assim Sou Eu – 6 poemas
A Voz da Ilusão – 3 poemas
E Assim Somos Poetas da Vida – 7 poemas
Entre as Palavras e o Silêncio – 14 poemas
Prelúdio de um entardecer – 9 poemas
Solidão – 4 poemas
Acasos e Dúvidas da Vida – 17 poemas
Deixa-me ouvir o silêncio – 5 poemas

São poemas elaborados com o cuidado e o carinho da autora,  que diariamente no facebook, presenteia-nos com seus escritos e que agora, tornou-se palpável, em uma obra que merece toda a nossa apreciação.

Em  À PROCURA DE MIM, todo o sentimento está registrado.

Nas fases de cada poema, no desejo de reunir momentos significativos, nas mensagens de todos que colaboraram, na capa em aquarela criada pela talentosa Pólvora da Cruz, e por nós da In-finita , no empenho da Julia (designer que fez a capa) em aproveitar ao máximo a proposta da arte, por mim e pelo Emanuel que nos envolvemos com um único objetivo: satisfazer a autora. Um desafio pela exigência profissional, tanto da Isabel, quanto nosso, e uma imensa satisfação de chegar até aqui.
Um livro construído com afeto. 
Da Isabel, de nós, para vocês.

A poesia é Silêncio

Ser poeta é mais que escrever
È ser tudo e nada
É sonhar,
Estando acordado,
É amar,
Não amando
É ser solitário,
Estando acompanhado,
É viajar,
Sem sair do lugar
É morrer
É ficar em silêncio
Mas renascer, sempre que alguém lê

Isabel Bastos Nunes

A nossa gratidão!

ASSESSORIA LITERÁRIA IN-FINITA

sábado, 17 de novembro de 2018

IN-FINITA APRESENTA... A MEMÓRIA É UM PEIXE FORA D'ÁGUA


A MEMÓRIA É UM PEIXE FORA D’ÁGUA, DE PATRÍCIA PORTO. MAIS DO QUE UM ACERTO DE CONTAS, UM ACERTO DE CONTOS

A memória é o que alicerça, até aqui, a obra de Patrícia Porto. Não a memória no seu sentido mais corriqueiro, mas sim tratada e enriquecida a partir de ângulos diferentes e até opostos. Há, por exemplo, o ângulo acadêmico, trazido no livro: Narrativas Memorialísticas - por Uma Arte Docente na Escolarização da Literatura (Ed. CRV, 2010), escrito a partir de tese finalista do prêmio CAPES. Há o ângulo poético, trabalhado na trilogia composta pelos volumes: Sobre Pétalas e Preces (Ed. Multifoco, 2014), Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos (Ed. Autografia, 2015) e Cabeça de Antígona (Ed. Reformatório, 2017). E, agora, há o ângulo apresentado nos contos de A Memória é um Peixe Fora D’Água (Ed. Penalux, 2018). Dividido em três partes (Os Ossos No Porão, Os Crônicos e Fogaréu no Céu, Exílio na terra), A Memória é um Peixe Fora D’Água é escrito, muitas vezes, de forma tensa. Como se a autora abandonasse o método do livro acadêmico e as ressignificações dos livros de poesia e disciplinasse as palavras usando a estreiteza de horizontes do Brasil dos anos 70 – sim, vários contos se passam nesta época, mesmo que a autora não diga isso textualmente. É uma obra política? É. Tanto quanto a memória daqueles dias pode ser, na visão de uma criança que nada sabia de ditadura e muito sabia de autoritarismo. É uma obra de formação? É. Tanto quanto a percepção de que o futuro é só um paliativo na visão de uma jovem dos anos 80. É uma obra memorialística? É acerto de contas? Talvez sim, talvez não. E podendo ser tantas, é, necessariamente, literatura – uma literatura que em seus pontos altos obedece ao ensinamento de Graciliano Ramos: “A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.” Contos como Coturno 36 (“Pediu ao padrasto coturnos que coubessem nos pés 36. Ele logo soltou em forma de berro: “E tu é homem? Vai usar coturno pra quê?”), Ícaro (“Ícaro morreu aos sete meses dentro da minha barriga. Fiquei anos me odiando pela escolha desastrosa do nome.”), A Gata Amarela (Eu cresci por atropelos e de forma desalinhada. Aos dez anos tinha por hábito viver a amplidão das ruas do nosso bairro do interior) ou ainda O Método (Arroubos é uma palavra que eu sempre quis usar. Porque não sei como viver. Viver arroubos. Ou viver mesmo.) nos mostram uma autora que sabe sentir como poesia e revelar como prosa. Ricardo Gualda, publicitário e escritor. 

A Memória é um Peixe Fora D’água, Patrícia Porto Editora Penalux – 1ª edição: 2018 Capa: Patrícia Ferreira

Nota sobre a autora: Maranhense, Patrícia Porto é graduada em Literatura, mestra em Educação e doutora em Políticas Públicas pela UFF (Universidade Federal Fluminense), tendo vários artigos acadêmicos e capítulos de livros publicados no Brasil e no exterior.

Assessoria Literária In-Finita