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domingo, 17 de junho de 2018

EU FALO DE... PONTUAÇÃO E ORALIDADE



Muitas vezes, ao ler outros autores, questiono-me para que serviram tantos séculos de evolução da língua e da escrita, com a criação de signos e códigos?

Fico a pensar, para que raio serve a pontuação quando a grande maioria não lhe dá o devido uso (quando usam)?

Para que servem os sinais de interrogação e exclamação quando a generalidade abusa na aplicação?

O meu défice académico não me permite compreender a razão pela qual muitos usam três ou quatro ponto de interrogação no final da pergunta. Também não alcanço os motivos dos três ou quatro pontos de exclamação no final de uma sentença, ou os quatro pontos de reticências.

E como não consigo entender esta forma de pontuar, deixo no ar, para quem souber responder: Como se lê esse excesso de signos? Como os dizemos na oralidade? Temos de esticar as entoações, interrogativas e exclamativas, até ficarmos sem ar nos pulmões?

Quanto à omissão de sinais de pontuação, já sei que me vão falar de Saramago e tal (fundamentados em dois ou três livros menores) mas em relação ao excesso o que me dirão os arautos da expressividade muda?

Fico a aguardar....???!!!

MANU DIXIT

sábado, 16 de junho de 2018

EU FALO DE... PRESTADORES DE SERVIÇOS




Nesta aventura In-Finita, jamais me cansarei de dizer, para quem quiser ouvir, e mesmo para os surdos crónicos, nós nunca seremos uma editora, seremos sempre prestadores de serviços, para autores e editores.

Para os editores nós fazemos coordenação e organização de eventos, elaboramos antologias, concursos literários e colecções, fazemos revisão de textos, paginação, divulgação de obras, resenhas...

Brevemente serão anunciados publicamente mais alguns serviços a serem realizados, para editoras, por membros da In-Finita.

Para os autores fazemos os mesmos trabalhos, para além de assessoria literária, havendo a possibilidade de também auxiliarmos na produção de livros, em edição de autor, isto é, tiragens reduzidas e limitadas.

Depois de termos sido abordados várias vezes, houve um autor que decidiu usar os serviços In-Finita e colocou nas nossas mãos a responsabilidade de produzirmos o seu livro de estreia. Aceitámos esta tarefa com satisfação e com a certeza que teríamos que empenhar todas as nossas energias para que o produto final, no mínimo, igualasse as expectativas do autor. A reacção que Miguel Curado teve, ao ver o seu ABRIR OS OLHOS ATÉ AO BRANCO, foi um sinal claro que a primeira empreitada deu resultados positivos. Agora é só esperar pelo lançamento da obra para sabermos se este nosso trabalho também agrada ao público.

Simultaneamente, e de acordo com este serviço, surgiu a oportunidade de estabelecer uma parceria, com o autor João Dordio, no sentido de criar-se uma colecção de 10 livros de poesia, sob sua coordenação.

Foi com orgulho que, com quase todo o processo terminado, anunciámos que o primeiro volume da colecção Poiesis será o livro VIVÊNCIAS da autora Margarida Cimbolini. Neste caso a autora ainda não pôde ver o produto final. No entanto, o entusiasmo do coordenador João Dordio é equiparável ao nosso e estamos seguros que brevemente iremos ver o mesmo género de reacção por parte da autora.

E assim vamos, passo a passo, trilhando o nosso caminho, lado a lado com autores e editores, rumo aos objetivos que sempre nos propusemos... sermos prestadores de serviços, tanto para autores como para editores... e voltarei a escrever sobre isto sempre que for necessário.

MANU DIXIT

quinta-feira, 14 de junho de 2018

AS CRÓNICAS DA AVÓZITA... NÃO GOSTO DE...



Não gosto de gente abusadora e oportunista, especialmente, quando em causa estão os amigos.

Imiscuem-se atentos e disfarçados de simplistas e, os amigos ingénuos, ou talvez não, ensinam o que sabem, contam o que pensam para o amanhã, ajudam de forma a que o outro consiga, o que ele já conseguiu, sempre numa de amizade, enfim, confiam.

Pois é, mas, os tais abusadores e oportunistas, infiltrados, fingidores de amigos, aproveitam-se de tudo o que outro lhes havia confiado, na amizade. E, antes que o amanhã dos outros surja, amanhecem eles com esse amanhã, como se a ideia fosse deles. Também a isto se deveria chamar de plágio.

E fazem-no sem qualquer pudor, passando por cima de quem lhes deu a mão.

Não gosto de gente assim.

Não gosto!

Pronto, não gosto!

MARIA ANTONIETA OLIVEIRA

terça-feira, 12 de junho de 2018

FALA AÍ BRASIL... LUCIANA BESSA SILVA (I)



Quando vamos namorar?

 Só quem enfrentou o trânsito de uma capital é capaz de desenhar como é uma quarta-feira chuvosa às 18:00h.
É um calor insuportável, um barulho de buzinas ensurdecedor, uma demora interminável para chegar em casa. Na frente, dos lados, atrás...  são carros de todos os tamanhos, de todas as cores e uma sensação de impotência que consome cada pedaço do seu corpo, da sua alma. É gente passando, ambulantes vendendo tudo que você consegue imaginar, bicicletas circulando e motoqueiros tirando ‘um fino’ do seu retrovisor.
Como há sempre o lado bom da vida, pelo menos dizem os livros de autoajuda, no banco do passageiro, há alguém por quem nutro um profundo carinho e admiração, alguém por quem você comete a loucura de sair de onde você está, seu ambiente de trabalho, percorrer 30km e retornar sabe para onde? Acertou quem disse para o mesmo lugar que você estava, pois uma palestra seria proferida e o palestrante estava ali, ao meu lado.
No meio daquele turbilhão de sensações escuto: quando vamos namorar? Foi tão imediata minha resposta: nós estamos namorando. Namorar é simples: é estar junto, é compartilhar os problemas, é escutar o outro, é entender os seus sentimentos, é refletir sobre a vida, é ajudar a pessoa no cotidiano, era exatamente isso que eu estava fazendo: namorando.
Namorar é, para mim, no meio de tantos compromissos, aventurar-se pelo meio de uma cidade que não foi preparada para a chuva simplesmente para ter ao seu lado, mesmo por poucos minutos, alguém cujos olhos são de um verde intenso, que sua única vontade é perder-se ali dentro.
Precisei viajar. Uma semana ausente. Nos falamos todos os dias, lemos poesias, comentamos dos nossos planos, combinamos programas. Prestes a retornar eu escuto a mesma pergunta: quando vamos namorar?
Fui repetitiva, na verdade, acho que sou. Respondi: nós estamos namorando. Mas ele me explicou que estava me perguntando quando iríamos transar. Finalmente, aprendi o significado dessa expressão: namorar significa transar... É sempre bom aprender o significado de novas expressões!

Luciana Bessa Silva, brasileira, doutoranda em Letras pela mesma instituição (2018). É professora efetiva do Centro Universitário Leão Sampaio em Juazeiro do Norte-Ce. É integrante da Ala Feminina da Casa de Juvenal Galeno ocupando a cadeira nº 1, cuja patrona é a escritora Francisca Júlia da Silva Munster. Integra, ainda, a Academia de Letras Municipais do Estado do Ceará-ALMECE ocupando a cadeira nº 66, representando o município de Tabuleiro do Norte. Faz parte do 5º volume do livro Mulheres do Brasil (2000), da 1ª Antologia da ALMECE (2000) e da Coletânea da ALMECE (2001).

segunda-feira, 11 de junho de 2018

EU FALO DE... VI SARAU IN-FINITA



No passado Sábado (9 de Junho) tivemos mais um sarau In-Finita na biblioteca do Palácio Baldaya. Para não variar, estiveram os heróis de sempre que, ao prestigiar-nos com a sua presença, também se prestigiam e enriquecem os eventos com belíssimos momentos de lusofonia.

Desta vez, e de forma excepcional, fizemos questão de ter, num Sarau, um convidado 
especial...

Com este evento decidimos comemorar a língua portuguesa e, por estar a divulgar ANÉDITURA (cantar Pessoa), achámos que faria todo o sentido pedir ao Paulo Sanches que nos elucidasse sobre o seu projecto para, deste modo, também darmos um colorido diferente.

Intercalando as suas versões musicadas de poemas pessoanos (heterónimos incluídos) com as leituras dos autores presentes, conseguiu-se criar uma atmosfera intimista, quase familiar, que transformou, durante hora e meia, todos os presentes em Pessoa.

Como balanço do VI Sarau, é justo dizer que os membros da In-Finita sentem-se tremendamente gratos pelo contributo dos presentes, pela forma como abraçaram esta iniciativa e por todo o apoio e carinho demonstrado. É por eles que continuamos convictos de estarmos a marcar a diferença e é por eles que ainda mantemos o mesmo grau de motivação que tínhamos no primeiro dia. São sempre poucos mas dos bons... daqueles que não se queixam da escassez de certames para divulgação e, sempre que a vida lhes permite, aparecem nos eventos In-Finita e ajudam a preencher cada hora e meia de inolvidáveis momentos de lusofonia, sem desculpas nem frases feitas.

Para esses deixo a informação... próximo evento será dia 23 de Junho, à hora do costume... e o tema será livre.

MANU DIXIT

sábado, 9 de junho de 2018

EU FALO DE... ESFORÇO DO NOSSO TRABALHO


Às vezes fico no meu canto a pensar se estou verdadeiramente no mesmo espaço/tempo dos meus semelhantes, ou se, o plano em que vivo, é alguma realidade paralela, que num qualquer instante, por ordem divina, celeste ou quântica, se cruza com outras realidades.

Desde sempre alicercei os meus pensamentos sobre todos os aspectos da vida partindo de uma lógica base em que o fator trabalho é preponderante para se alcançar metas e conquistar objetivos. Desde muito cedo incuti, na minha forma de ser, estar e agir, uma forte convicção sobre a necessidade incontornável, logo imperativa, de nos esforçarmos para conseguirmos, seja o que for.

Mas, cada vez mais, sinto que esta convicção é vista quase como se fosse um pensamento alienígena. Olho em redor e vejo o mundo à espera que as coisas simplesmente aconteçam; que as soluções para os problemas do dia-a-dia surjam por artes mágicas; que o sucesso caia do céu.

Por mais estranho que possa parecer, continuo a acreditar que a nossa relação, com os diversos aspectos da vida, deveria ser encarada como se fossemos todos pedreiros: temos de construir tudo, peça por peça, até o edifício estar completo, e depois temos de ir remodelando aqui, emendando ali, acrescentando acolá.

Para os menos rústicos, ou menos receptivos a metáforas básicas, dou um exemplo mais literário: um livro só aparece feito se houver quem o escreva, quem o imprima, quem o edite.

As coisas não aparecem feitas por si mesmas. Elas têm que ser trabalhadas e o trabalho requer esforço. E não há nada mais satisfatório e gratificante do que ver os resultados do esforço do nosso trabalho.

MANU DIXIT

sexta-feira, 8 de junho de 2018

AS CRÓNICAS DA AVÓZITA... AMIGOS DO FACE



Dois mil e tal amigos no facebook, será que os conhecemos a todos?! Claro que não! Então, porque são tantos? Para que os queremos?

Passo a explicar.

Dos que conheço, uns são familiares, familiares de familiares, ex-colegas de curso, ex-colegas de emprego, ex amores e amores actuais, e depois, amigos e amigos de amigos, onde as palavras se cruzam nos sentires da vida.

Graças a Deus tenho muito bons amigos. E, muitos bons amigos.

A seguir, vêm os amigos chamados de virtuais, porquê tantos? Pelos mesmos motivos já apresentados anteriormente. Amigos de amigos e, aqueles que sentam as palavras nos caminhos partilhados. E quando estes últimos passam de virtuais a reias, em que os olhares escrevem as mesmas palavras, é uma dádiva dos céus.

Por fim, há os oportunistas e também os convencidos. Os oportunistas mal se aceita a amizade, de imediato enviam uma mensagem particular, a “oferecer” os seus serviços, desde dinheiro a outros, sempre com a amabilidade de “ajudar” o novo amigo. Os convencidos, convencem-se mesmo, que são o cavaleiro que há muito se aguardava, para sermos felizes. Convencem-se que são o que não são e que, pelo facto de se estar numa rede social, é apenas e só, porque nos sentimos sós, e precisamos de alguém que nos faça companhia, e, esse alguém, é precisamente, “aquele”. Claro está, que qualquer um destes dois últimos grupos de “amigos” virtuais, deixa de existir logo após a descoberta das suas intenções.

Dos que sobram, e continuam sendo mais de dois mil e tal, há os que interagem e os silenciosos, mas, pronto, está bem, ficam todos.

MARIA ANTONIETA OLIVEIRA

quarta-feira, 6 de junho de 2018

EU FALO DE... TRADIÇÃO


A propósito do horário dos eventos In-Finita, no Palácio Baldaya, são inúmeras as opiniões que chegam aos meus ouvidos. Para uns o problema é ser de manhã, para outros é ser em cima da hora de almoço, para mais uns quantos, é ser aos sábados, para outros é a falta de estacionamento.

Entendo estas sentenças com a mesma leveza que oiço as desculpas  usadas para justificar ausências em lançamentos e apresentações de livros individuais e/ou colectivos. Nesses casos a hora não é conveniente, o local não é o adequado porque fica fora de mão, ou é longe, ou porque chove, ou porque venta, ou porque está calor, ou... ou... ou...

Perante tantas desculpas, às vezes dou por mim a pensar se só eu é que tento contornar obstáculos para alcançar objetivos, e todos os outros têm, por natureza ou sorte, a vida facilitada.

Sendo certo que nem sempre existe compatibilidade entre os nossos compromissos pessoais, profissionais ou sociais, e estes eventos, acredito que seria mais honesto dizer-se: Não estou interessado! Prefiro ficar em casa!

Os eventos In-Finita, no Palácio Baldaya, continuarão a ser sempre aos sábados (duas vezes por mês), das 11 às 12.30, enquanto lá nos quiserem. Todos os que aparecerem serão bem recebidos e não haverá tratamento diferenciado; todos serão tratados de igual modo, com o mesmo respeito e consideração.

Trabalhamos cada evento como fosse o primeiro de modo a proporcionar, tanto a autores como ao público em geral, hora e meia de convívio saudável, dedicando a cada um, dos presentes, as mesmas oportunidades, sem excepções às nossas regras.

Sabemos que, apesar da periodicidade, nem sempre poderemos contar com um ou outro (sendo lógico e compreensível que assim seja). Sabemos que, por mais vontade que alguém tenha em marcar o máximo de presenças, há sempre imprevistos e imponderáveis de última hora. Também sabemos que nem todos os nossos eventos agradam às pessoas e há temas que afastam alguns.

Sabemos tudo isso mas, para nós, o mais importante é estarmos a trabalhar para garantir que existam espaços/eventos onde todos têm a possibilidade de divulgar-se, promover a sua obra, discutir temáticas e defender as suas opiniões.

Quanto às desculpas... Essas existirão sempre, independentemente do dia, da hora e do local dos eventos. Assim manda a tradição.

MANU DIXIT

sábado, 2 de junho de 2018

AS CRÓNICAS DA AVÓZITA... AMIZADE


Estar com amigos, aqueles amigos que basta um olhar e sentimos que do outro lado temos um ombro, um carinho, um mimo, é um privilégio, uma dádiva, uma bênção.

Nas manhãs de sábado, de duas em duas semanas, tenho sentido essa amizade nos olhares que me rodeiam.

E trocamos palavras em abraços. E abraços em poesia.

E, num ápice, o tempo passa.

Mas, na hora da despedida, todos sabemos que o ombro, o carinho, o mimo, permanecem no sorriso de um olhar.

MARIA ANTONIETA OLIVEIRA

quinta-feira, 31 de maio de 2018

EU FALO DE... PREMONIÇÕES



Às vezes escrevo coisas de forma tão incisiva que muitos apontam o dedo, por ser desbocado, enquanto outros acusam-me de ter a mania que sou profeta, mas a verdade é que quase sempre acabo por ter razão e os meus textos terminam sendo  premonições.

Um desses casos aconteceu recentemente quando escrevi sobre a Feira do Livro de Autor de Vila Franca de Xira. Manifestei, na altura, a minha quase certeza que o evento não receberia, mais uma vez, a presença de autores que, de forma sistemática, queixam-se da falta de certames para divulgarem as suas obras.

A única diferença entre esse meu texto e outros, de natureza semelhante, reside num só aspecto... noutras alturas, seria preciso acontecer o evento para que eu pudesse confirmar as minhas suspeitas. Desta vez bastou chegar-se à véspera. Isto é, a falta de inscritos, para os dois dias de certame, levou a associação organizadora a adiar o evento, para Outubro. E a palavra “adiar” suscita-me uma questão: Será que a organização tem esperanças que em Outubro as circunstâncias sejam diferentes? Será que, as fracas adesões, em edições anteriores, não lhes chega como prova do desinteresse dos autores?

Ainda faltam cinco meses para obter as respostas. Seja como for, cá estarei para irritar uns quantos, com os meus textos. Pelo menos em Outubro voltarei à carga com premonições sobre esta temática.

MANU DIXIT

terça-feira, 29 de maio de 2018

EU FALO DE... PORTUGUÊS SEMPRE



Confesso que estive tentado a escrever este texto poucos minutos após o episódio que lhe dá origem. Ainda escrevi umas linhas mas decidi apagar tudo, confirmar as minhas suspeitas, e só agora, passado algum tempo (talvez o suficiente para quase ter ficado esquecido da curta memória lusa), datilografar os meus pensamentos sobre o assunto.

No passado dia 12 de Maio o país viveu mergulhado numa onda de optimismo exacerbado que, com a maior das lógicas e falta de bom senso, rapidamente se transformou no velho e típico baixar de cabeça e autocomiseração, para depois dar lugar ao, não menos típico, ressuscitar dos velhos do Restelo e seus bem conhecidos chavões sobre a sina e o fado de ser-se português.

Mas vamos por partes...

Primeiro fez-se a festa porque “Portugal está em alta” e “o que é nacional é bom” e “ninguém nos segura” e “o que custa é a primeira” e blá blá blá com mais blá blá blá pelo meio.

Depois os discursos foram mudando e só se ouvia: “nada que não estivéssemos à espera” e “somos demasiado pequenos” e “voltaram a colocar-nos no nosso lugar” e blá blá blá seguido de mais blá blá blá.

Por fim vieram os vozeirões roucos e sábios dos velhos do Restelo com “fizessem como os outros” e “temos que acompanhar os tempos” e “não é em português que nos safamos” e outros aborrecidos blá blá blá.

Alguém sabe do que estou a escrever? Não?

E se eu disser que tenho orgulho em ser português e que sempre defenderei a nossa língua, a nossa cultura, a nossa forma de estar, independentemente do que o resto do mundo pensa ou deixa de pensar? E se eu disser que, por mais que tentem, não há nenhum outro idioma que consiga, minimamente, rivalizar com a riqueza da língua portuguesa? E se eu disser que no final desse dia 12 de Maio, o que sobra é a convicção que a mensagem em português passou e o resto é apenas negociatas de bastidores? E se eu disser que no final desse dia apenas me restou a certeza que, ao contrário do que sempre julgara, os meus conhecimentos de geografia são fraquíssimos e a europa tem mais dois países do que me ensinaram na escola? E... se eu dissesse tantas outras coisas...

Mas não preciso dizer isto para demonstrar o meu repúdio pela forma disparatada como os meus conterrâneos se limitam a arranjar desculpas para justificar a imparcialidade que não têm e darem ares de gente sofisticada e conhecedora quando, em boa verdade, só agem dessa forma para darem nas vistas sem se aperceberem de quão ridículo é fazer-se parte de um rebanho.

Que mais posso eu dizer sobre aqueles que são portugueses, até à medula, quando há sucessos estrondosos e se descartam quando ficamos no fundo da tabela?

Neste contexto e para que finalmente saibam de que estou a falar, termino dizendo que estou orgulhoso da Cláudia e da Isaura na mesma proporção que tive do Salvador.

MANU DIXIT

domingo, 27 de maio de 2018

AS CRÓNICAS DA AVÓZITA... FATIOTAS E TOILETES



Comprei um vestido de seda… de chifom… de brocado… já nem sei; sapatos de fino salto, cores garridas misturadas mas… tudo a condizer.

Mandei subir a bainha, saia curta, perna ao léu, também mandei descer o decote, ficaria mais atrevidote, assim, daria nas vistas e todos se lembrariam do meu nome.

Os cabelos, dos cabelos nem vos falo, cada um de sua cor, madeixas, sobre madeixas, colorido até demais, um Picasso na perfeição.

O meu estilo é mesmo este, não sigo o que o espelho diz, nem lhe ligo, eu até sei que vão gostar. Nem me importa o que pareço, ou o que pensam de mim, eu sei aquilo que sou.

E afinal para onde vou com todo este aprumo? Apenas beber um café mas sei que lá vou encontrar a amiga da vizinha que logo lhe vai contar como estou provocadora, e ela, vai morrer de inveja por não ter corpo, ou será, por não ter coragem, de se vestir como eu. Sim, vendo bem, ela até tem um corpo mais perfeito que o meu.

Ah! Mas todos no café olharão para mim, ruidinhos, pois em casa, as mulheres, passam o dia a limpar, a tratar dos miúdos, a cozinhar, a passar a ferro, e, nem tempo têm para com o espelho falar.

Eu, eu visto-me a rigor, vá para onde for.

Mas, eu, não sou esta, esta, são muitas outras “eus”.

MARIA ANTONIETA OLIVEIRA

quinta-feira, 24 de maio de 2018

EU FALO DE... DIVULGAÇÃO DE AUTORES PORTUGUESES NO BRASIL




Um dos serviços mais relevantes da In-Finita é, por razões naturais, óbvias e umbilicalmente ligadas ao histórico de trabalhos realizados pelos seus membros, a divulgação.

Com a experiência de anos e os importantes contatos adquiridos, estamos a fazer a ponte que atravessa o Atlântico e aproxima autores e leitores do Brasil e de Portugal.

Como consequência deste propósito, a última iniciativa deriva da parceria feita com a revista/fanzine Alfarrábios, de Niterói (Rio de Janeiro), a pedido do seu mentor, Paulo de Carvalho.

Esta primeira abordagem permite-nos levar, ao conhecimento dos membros da comunidade artística de Niterói, algumas criações de dez autores portugueses.

Sabendo que, para muitos, o mercado brasileiro pouco ou nada diz, e que nem todos os autores sentem a necessidade de se fazerem notar para lá da fronteira, menos ainda noutro continente, a nossa escolha recaiu, com naturalidade, em autores que, de forma mais regular, têm abraçado o projecto In-Finita e as nossas iniciativas. Para além disso queremos, através deste contacto, suscitar interesse sobre o que por aqui se cria e despertar curiosidade em autores que, no futuro, possam querer fazer parte deste projecto de divulgação.

Estamos a criar caminhos. Trabalhamos para que a distância, entre Brasil e Portugal, diminua e se transforme em proximidade.

Os dez pioneiros, que indicámos, serão divulgados no número, de Junho, da Alfarrábios, no Centro Cultural Paschoal Carlos Magno, em Niterói, e temos a certeza que o impacto das criações enviadas será imenso e as expectativas dos leitores da Alfarrábios aumentarão deixando-os sedentos por mais. E a In-Finita cá estará para saciar essa sede de portugalidade.

Ficamos gratos aos autores, Alexandre Carvalho, Ana Coelho, Carlos Arinto, Celso Cordeiro, Isabel Bastos Nunes, Manuel Machado, Manuel Rodrigues, Maria Antonieta Oliveira, Miguel Curado e Vítor Costeira, pela disponibilidade em serem os primeiros nesta aventura, abrindo portas para outros que certamente aparecerão.


MANU DIXIT

terça-feira, 22 de maio de 2018

EU FALO DE... II TERTÚLIA IN-FINITA


No passado Sábado, em mais um evento In-Finita, no Palácio Baldaya, entre várias temáticas abordadas pelo autor convidado, João Dordio, e o público presente, houve uma que gerou discussão mais alargada, ou dito de outra forma mais assertiva, causou um princípio de debate que talvez mereça, por si só, ser tema de um futuro evento.

Em determinada altura, e na sequência do que entretanto se falara, surgiu a questão: para que serve a literatura nos dias de hoje e como se definem e enquadram os autores contemporâneos no uso e/ou defesa das correntes literárias? Esta questão, por ser interessante e até pertinente, apanhou praticamente todos de surpresa e notou-se em todas as intervenções um certo estado de dúvida que, tal como exprimi na altura, talvez se deva ao facto de, nesta era de grande facilidade comunicacional, mediatismo e individualismo, as pessoas não saberem explicar qual a corrente literária em que mais se reveem nem conseguirem catalogar aquilo que produzem artisticamente.

Apesar da abordagem superficial feita, creio que a maioria aceita que esta indefinição se deve, em grande medida, ao desuso da discussão destas temáticas. A generalidade dos autores actuais simplesmente escreve sem se preocupar minimamente com estilos ou correntes literárias. E porque vivemos num tempo em que se dá mais importância ao “like” facebookiano do que ao verdadeiro debate de ideias, a tendência maior é deixar morrer a discussão das formas e das ideias para dar lugar ao “cada um por si” tão enraizado neste nosso mundo de individualismo exacerbado.

Para mim o mais relevante nesta conversa foi a ambiguidade de estarmos a discutir a falta de discussão sobre as tendências e correntes literárias. Foi curioso perceber que as pessoas demonstram interesse em debater algumas questões e quase assumem que simplesmente nunca o fazem porque mais ninguém o faz hoje em dia.

Afinal, e como conclusão minha, os autores contemporâneos não debatem, não discutem, não trocam impressões nem se assumem defensores ou contrários a esta, ou aquela, corrente literária, porque ninguém fala nem se interessa por essas temáticas, como se fosse um assunto “démodé”. Em contraponto, fiquei com a certeza que, pelo menos os presentes no evento de Sábado, não se importariam de falar mais sobre esta matéria, mais não fosse para conseguirem, finalmente, identificar-se com qualquer que seja a corrente literária.

MANU DIXIT

segunda-feira, 21 de maio de 2018

AS CRÓNICAS DA AVÓZITA... ELITES



Elites!

Em tudo na vida há elites, umas devido aos canudos; alguns deles comprados. Outras, porque os elementos intervenientes até têm valor, quer profissionalmente, quer a qualquer outro nível. Outras ainda, porque os elementos intervenientes pensam estar numa das categorias acima referidas.

É verdade, também na poesia há elites (serão mesmo elites?). Pois, talvez sejam.

Há escritores/poetas que não publicam os seus escritos em antologias, onde o maralhal miúdo publica, no entanto, organizam as suas antologias, quase privadas, onde apenas alguns entram, mas depois, convidam o tal maralhal miúdo, para as apresentações das mesmas. Ora bem, eu pertenço à minoria, àqueles que são convidados para todas, excepto, claro, as tais privadas. Colaboro em quase todas, desde que não me façam demasiadas exigências.

Com a minha maneira de ver as elites, não convido ninguém para as apresentações das ditas, aquelas do maralhal miúdo.

É que, elite, é elite.

MARIA ANTONIETA OLIVEIRA

domingo, 20 de maio de 2018

EU FALO DE... FALTA DE DIVULGAÇÃO



Uma das queixas mais frequentes, por parte dos autores, é sobre a falta de divulgação adequada, tanto ao nível dos eventos como das obras. Não é raro ouvirmos alguém reclamar do pouco que é feito para dar maior visibilidade ao que produzem e/ou editam. Há muito que tenho vindo a apontar essa lacuna e já perdi a conta às vezes que escrevi sobre esta matéria.

Concordo que o trabalho de divulgação, pré e pós edição, é escasso e, muitas vezes, mal direccionado. Não tenho qualquer dúvida que existem muitas coisas que podem ser feitas pelos autores e pelas suas obras. Creio que, com um pouco mais de criatividade, pode-se levar, ao conhecimento de muito mais leitores, aqueles e aquilo que se produz.

No entanto, e há sempre uma ressalva a fazer, há um entendimento errado sobre quem recai a responsabilidade dessa falta de divulgação.

Sim, estou do lado dos autores quando demonstram o seu desagrado pela escassa divulgação que os editores fazem. Mas também compreendo que os ovos da omeleta não podem provir todos da mesma cesta. Os autores também devem trabalhar no sentido de promoverem os seus eventos e divulgarem as suas obras, para que a divulgação funcione.

Os autores não podem, nem devem, excluir-se dessa tarefa, sob pena de nada resultar. Por mais que os editores possam fazer, quando fazem e se o fizerem, é responsabilidade dos autores criarem a sua base de leitores e alargá-la. Para isso existem saraus e tertúlias, feiras do livro (um pouco por todo o lado) e demais encontros literários.

Aproxima-se mais uma edição da Feira do Livro de Autor, em Vila Franca de Xira. Apesar de não ter dotes de adivinho, aposto que, mais uma vez, não estará lá nenhum daqueles que tanto se queixa da falta de divulgação dos seus livros. Lá estarei para atestar a minha previsão.

O que mais me espanta é as pessoas ainda não se terem dado conta que para se fazer vinho tem-se que apanhar as uvas primeiro.

MANU DIXIT

sexta-feira, 18 de maio de 2018

ADRIANA FALA DE... ESPAÇO PARA DIVULGAÇÃO


Um espaço para divulgar autores, livros, editoras, trocar ideias e principalmente falar sobre poesia, com uma proposta diferenciada, por ser um sábado pela manhã, convidando a um amanhecer diferente da rotina diária, de frente para um jardim, com o barulho de água jorrando de uma fonte e ao lado de um charmoso café, dentro de um Palácio centenário, que transformou-se em um centro cultural com constantes atividades diferenciadas.

Nós da IN-FINITA tivemos esse privilégio na parceria firmada com o PALÁCIO BALDAYA. Desde fevereiro, continuamente, dois sábados por mês, estamos lá, com convidados e temas diferenciados nas Tertúlias e Painéis, com autores e leitores nos nossos SARAUS, fazendo chamamentos a todos, fora e dentro das redes sociais para juntarem-se a nós, sem pretensões de grupos ou qualquer distinção. Apenas provocar o encontro, a integração, o conhecimento.

Desfrutar apenas, do espaço, das companhias, da poesia. E como é difícil, esse despertar, esse agregar, por todos os motivos e desculpas, os espaços vazios permanecem. Temos a sorte, o agradecimento e a alegria em desfrutar da presença constante daqueles que já perceberam a nossa proposta e nos ajudam a dar continuidade. Um convite do amigo que esteve conosco ao amigo que comparece, gosta e volta no seguinte. E pedimos, chame outro amigo. Apenas uma hora e meia para fazer a diferença naquele dia para um, dois, dez, vinte e quem sabe mais participantes e frequentadores.

Temos no espaço uma mini feira para expor e vender livros, dos autores presentes, a cada encontro. Temos todas as ferramentas de divulgação antes, durante e pós eventos, sinceramente, não concordo quando dizem que não há espaços para divulgação. Nós fazemos esse espaço, real e virtual, gratuitamente. Não há desculpas aceitáveis, apenas a compreensão de que não há interesse. Por comodismo, por falta de tempo, ou outro motivo qualquer.

Investimos para realizar o que acreditamos e claro, mostrar o nosso trabalho e nossas ideias.  

Amanhã, dia 19, estaremos lá com o autor João Dordio, com GRITOS E SUSPIROS, para falar sobre prosa, poesia e seus dois livros em nossa II Tertúlia IN-FINITA/PALÁCIO BALDAYA. Faça diferente, amanheça entre nós, com certeza, um pouco de leveza e satisfação, lhe acompanharão por todo o dia.

DRIKKA INQUIT

IN-FINITA no facebook
Nosso contato: infinita.lisboa@gmail.com

terça-feira, 15 de maio de 2018

AS CRÓNICAS DA AVÓZITA... - ANALISANDO


Em conversa de café quando alguém se auto menospreza de algo que tem, de algo que fez ou não fez e devia ter feito, para mim, é uma forma de se querer valorizar.

Ora bem, se ouvimos …/… ai… e tal… isto está péssimo…/…, automaticamente dizemos que não, que até está bem, mesmo que não pensemos exactamente assim, para que a outra pessoa não sinta a sua auto estima tão em baixo. O pior é quando essa cena se repete vezes sem conta, aí, a vontade é mesmo que até seja bom, concordar com a outra parte e dizer que tem razão, que na realidade não presta.

Também há aqueles que depois de se vitimarem, de seguida, se enaltecem, comparando-se até com altas figuras da praça, sobre o mesmo tema em que anteriormente se menosprezaram. Nestes casos o melhor é ouvir e calar.

Analisando, chego à conclusão que “modéstia em demasia é vaidade” é um ditado popular que se adapta na perfeição.

MARIA ANTONIETA OLIVEIRA

sábado, 12 de maio de 2018

EU FALO DE... PLÁGIO


Regra geral, em assuntos que dão origem a divisão de opiniões, consigo entender a existência de diferentes pontos de vista. Nesses casos, faço questão de compreender os argumentos de ambos os lados e, quando os do outro são mais válidos que os meus, não tenho problema algum em deixar cair a minha opinião, abraçando a ideia que me convenceu. E, até prova em contrário, acredito que este modo de estar e agir é o mais correcto a seguir.

Comecei este texto com a expressão “regra geral” porque, volta e meia, lá surge um tema para o qual não concebo visões distintas e a minha rigidez de pensamento impera. E um desses temas é o plágio. Não consigo aceitar, por mais argumentos que utilizem, por maior erudição que usem, esta conivência que abunda no universo da escrita. Não consigo compreender como muitos autores ficam impávidos e serenos quando confrontados com casos de plágio nítido e flagrante.

É do conhecimento de todos, os que acompanham a minha actividade nas redes sociais, a quantidade de vezes que fui bloqueado/denunciado por apontar o dedo (com provas claras) a alguns plagiadores que circulam entre nós. Se mais razões não existissem, esses “castigos/punições” sofridos são indicadores do quanto esta questão me provoca urticária. Felizmente não sou o único com esta patologia crónica e, por mais represálias que sofra, jamais me calarei nem deixarei de apontar o dedo aos prevaricadores.

No entanto, o facto de ser irredutível nesta matéria, não significa que entre às cegas nas batalhas anti-plágio. Estarei sempre contra a usurpação de textos alheios; estarei sempre na frente de combate, mas apenas se a acusação for devidamente provada e fundamentada.

Faço esta ressalva porque não embarco em actividades de linchamento de massas, só porque alguém gritou: - Olha o lobo!
Eu preciso ver o lobo antes de apontar.

Servem os parágrafos anteriores para dizer que, ao contrário do alarme lançado por uma autora incomodada por ter visto um poema com o mesmo título do seu, se títulos iguais fossem plágio, todos os autores seriam plagiadores da Florbela Espanca (podia dar outros exemplos) porque, num momento ou noutro, já escreveram algo titulado “SER POETA”.

É caso para dizer, tenham cuidado! Se usarem “SOLIDARIEDADE” como título de um texto vosso, provavelmente ouvirão alguém gritar: - Olha o lobo!

Sou contra o plágio, sim! Quero que mais autores o sejam, sim! Mas pelo menos saibam o que isso significa e o que implica, para não estarmos constantemente a dar alertas falsos porque depois, quando houver mesmo lobo, ninguém vai dar atenção ao grito!

MANU DIXIT

quarta-feira, 9 de maio de 2018

AS CRÓNICAS DA AVÓZITA... INCONGRUÊNCIAS DA VIDA


INCONGRUÊNCIAS DA VIDA

Nunca gostei que me dessem ordens, no entanto, tive que obedecer à minha mãe até aos meus vinte e um anos, quando casei. Bem, isto não interessa, ou talvez interesse, depende da interpretação.

Enquanto estudei, “obrigaram-me” a ler Júlio Dinis, Eça de Queiroz, Fernando Pessoa, Camões, entre muitos outros. Fui mesmo obrigada a ler.

Não gostava de ler. Durante muitos anos, não gostei de ler. Porém, com quinze anos já escrevia os meus poemas, desabafos e paixões, sentires e recordações.

Escrevi, escrevo e quero continuar a escrever.
Quero que os jovens me leiam.
Quero que os adultos me leiam.
Quero que em cada idade me interpretem à sua maneira.
Sim, quero que me leiam.
Gosto que me leiam, sem obrigação de o fazerem.
Pois é, gosto que me leiam.

Nota – Ainda hoje, não gosto de cumprir ordens.

MARIA ANTONIETA OLIVEIRA