Sendo
evidente que, enquanto autor, gostaria de ter casa cheia sempre que faço um
lançamento ou apresentação de um livro meu, aceito com normalidade que tal não
aconteça e nem me choca a ausência seja de quem fôr. Não me posso queixar das
afluências aos lançamentos dos meus livros, mais não seja porque nunca crio
grandes expectativas em relação ao número de pessoas que podem aparecer mas
perante aquilo que tenho visto em muitos eventos posso dizer que sou um autor
privilegiado pois sempre tive casas razoavelmente bem compostas de público.
No
entanto, não é menos verdade que, como amante da escrita e apreciador de
eventos culturais, é difícil para mim entender a forma como alguns autores, que
se dizem plurais e culturalmente empreendedores, pura e simplesmente agem de
modo contrário ao que anunciam aos sete ventos.
Sou um
frequentador assumido de eventos literários e enquanto tal sinto-me autorizado
a tecer uma critica directa a todos aqueles que, amiúde, se queixam da escassez
de eventos (não são tão escassos como isso) mas nunca aparecem em nenhum (as redes sociais estão pejadas deles).
Não é
raro acontecerem eventos em que o número de assistentes na plateia é inferior
ao número de pessoas na mesa de apresentação, normalmente composta por três
elementos. Já assisti a uma mão cheia deles e digo-vos que para os autores não
é agradável viver uma situação semelhante.
Ao longo
desta minha caminhada pelo mundo da escrita tenho vindo a verificar que não são
poucos aqueles que se deixam ver, apenas e só, em efemérides de editoras,
lançamentos de antologias em que participam e dos seus próprios livros.
Curiosamente, ou talvez não, esses eventos ocorrem em datas muito próximas.
Alguns
podem dizer que não é possível aparecer em todos os eventos e eu concordo e
aceito esse argumento porquanto todos temos responsabilidades na vida, sejam
familiares, de amizade e até de negócios. Todos temos direito a gozar férias longe
das cidades, todos temos direito a dar umas escapadinhas ao fim de semana e
descansar do reboliço do dia-a-dia. Mas, pelo menos para mim, é difícil
compreender como é que alguém pode moralmente exigir que as pessoas apareçam no
lançamento do seu livro quando nos restantes cinquenta e um fins-de-semana
ninguém lhe põe a vista em cima.
No
momento em que escrevo estas linhas, eu poderia fazer uma lista com cerca de
duas dezenas de pessoas que agem desta forma, mas fazê-lo seria dar importância
a quem definitivamente não a merece em detrimento daqueles que mesmo não
estando em todos os eventos sempre vão aparecendo para dar apoio a outros
autores. E estes últimos superam em número os anteriores.
A
literatura precisa não só de quem escreve mas também e fundamentalmente de quem
a leia sob risco de nos transformarmos num país de escritores que não lêem.
Para que possam estar a par dos eventos que vão acontecendo, durante esta semana deixarei aqui uma lista de iniciativas culturais. Assim já não podem argumentar que não existe nada.
MANU DIXIT