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sexta-feira, 29 de março de 2013

EU FALO DE... CEREJA NO TOPO DO BOLO



Depois do gratificante dia de sábado, apesar do fiasco, e da fabulosa tarde de domingo, rodeado de muitos amigos da poesia, eis que cheguei a casa pronto para dar ao corpo o descanso e alivio que ele me pedia pelo desgaste de tantas horas de viagem durante os dois dias.

Mas antes do guerreiro repousar, impunha-se uma última visita às páginas da net para moderar comentários e responder a algumas mensagens.

 
E como todos os bolos têm mais encanto quando o topo vem enfeitado, faltava a cereja neste bolo chamado fim-de-semana. Essa, encontrei-a num artigo escrito, pelo poeta brasileiro Flávio Morgado, sobre o meu recém-editado POETAS QUE SOU e que passo a transcrever sem mais comentários.

Grata surpresa foi receber o novo livro do poeta português, lusófono, como ele prefere, Emanuel Lomelino. "Poetas que sou" é um livro de rara beleza e instigante reflexão acerca do milenar ofício de poeta. Pensemos no título: já em clara referência à multidão de vozes que o compõe, não deixando de ecoar a conhecida tradição heterónima portuguesa iniciada com Pessoa, mas indo além, chegando ao oportuno limite da homenagem e da metalínguagem. Trazendo para dentro de sua poética a presença de tantos outros que o pegam pela mão. Lomelino quer nos dizer: cada verso é um rastro de tantas outras vozes, remetido sempre ao infinito. Escrever só é possível com (e por) fantasmas.

Rio de Janeiro, 22 de Março de 2013

Flávio Morgado

 

MANU DIXIT

 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Os oportunistas da escrita



Sendo evidente que, enquanto autor, gostaria de ter casa cheia sempre que faço um lançamento ou apresentação de um livro meu, aceito com normalidade que tal não aconteça e nem me choca a ausência seja de quem fôr. Não me posso queixar das afluências aos lançamentos dos meus livros, mais não seja porque nunca crio grandes expectativas em relação ao número de pessoas que podem aparecer mas perante aquilo que tenho visto em muitos eventos posso dizer que sou um autor privilegiado pois sempre tive casas razoavelmente bem compostas de público.

No entanto, não é menos verdade que, como amante da escrita e apreciador de eventos culturais, é difícil para mim entender a forma como alguns autores, que se dizem plurais e culturalmente empreendedores, pura e simplesmente agem de modo contrário ao que anunciam aos sete ventos.

Sou um frequentador assumido de eventos literários e enquanto tal sinto-me autorizado a tecer uma critica directa a todos aqueles que, amiúde, se queixam da escassez de eventos (não são tão escassos como isso) mas nunca aparecem em nenhum (as redes sociais estão pejadas deles).

Não é raro acontecerem eventos em que o número de assistentes na plateia é inferior ao número de pessoas na mesa de apresentação, normalmente composta por três elementos. Já assisti a uma mão cheia deles e digo-vos que para os autores não é agradável viver uma situação semelhante.

Ao longo desta minha caminhada pelo mundo da escrita tenho vindo a verificar que não são poucos aqueles que se deixam ver, apenas e só, em efemérides de editoras, lançamentos de antologias em que participam e dos seus próprios livros. Curiosamente, ou talvez não, esses eventos ocorrem em datas muito próximas.

Alguns podem dizer que não é possível aparecer em todos os eventos e eu concordo e aceito esse argumento porquanto todos temos responsabilidades na vida, sejam familiares, de amizade e até de negócios. Todos temos direito a gozar férias longe das cidades, todos temos direito a dar umas escapadinhas ao fim de semana e descansar do reboliço do dia-a-dia. Mas, pelo menos para mim, é difícil compreender como é que alguém pode moralmente exigir que as pessoas apareçam no lançamento do seu livro quando nos restantes cinquenta e um fins-de-semana ninguém lhe põe a vista em cima.

No momento em que escrevo estas linhas, eu poderia fazer uma lista com cerca de duas dezenas de pessoas que agem desta forma, mas fazê-lo seria dar importância a quem definitivamente não a merece em detrimento daqueles que mesmo não estando em todos os eventos sempre vão aparecendo para dar apoio a outros autores. E estes últimos superam em número os anteriores.

A literatura precisa não só de quem escreve mas também e fundamentalmente de quem a leia sob risco de nos transformarmos num país de escritores que não lêem.

Para que possam estar a par dos eventos que vão acontecendo, durante esta semana deixarei aqui uma lista de iniciativas culturais. Assim já não podem argumentar que não existe nada.

 
MANU DIXIT