sábado, 24 de março de 2018

AS CRÓNICAS DA AVÓZITA... DIA DA POESIA



Todos os dias são dias de qualquer coisa, dizem que hoje, dia 21 de Março, é o dia da poesia. Decerto foi, para muitos de nós. Eu, pessoalmente, fui a um encontro de poetas, numa tertúlia que acontece mensalmente, no SCP, mas hoje foi diferente, não estivemos na sala VIP mas sim, na sala do centro de dia, onde idosos, com mais ou menos, problemas físicos, passam os seus dias. Os dias do resto das suas vidas.

Falou-se, declamou-se, ouviu-se fado, contaram-se anedotas, especialmente de alentejanos, e, os aplausos fizeram-se ouvir e sentir. Sim, eu senti o calor humano daqueles que tiveram uma tarde diferente. No seu local habitual, alguém, nós, levou-lhes palavras de conforto, sorrisos de alegria e recordações de antanho, nos fados cantados.

No final, fomos agraciados com Leões de Portugal.

MARIA ANTONIETA OLIVEIRA

sexta-feira, 23 de março de 2018

DEZ PERGUNTAS A... ANAMARIA ALVES


Agradecemos à autora ANAMARIA ALVES a disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Como se define enquanto autor e pessoa?

Me defino meio louca... Tanto como poetisa quanto como pessoa. Acho que é minha loucura que me faz escrever tanto sobre tudo. Sou poetisa de catarse, escrevo para aliviar as dores, não apenas minhas, mas do mundo ao meu redor, de tudo que vejo.

2 - O que a inspira?

O tudo e o nada me inspiram. O universo como um todo. Tanto um passarinho na árvore quanto uma louca paixão. A vida me inspira, às vezes a morte também, Tudo depende do momento.

3 - Existem tabus na sua escrita? Porquê?

Não existem tabus na minha escrita. Acho que vestir-me de louca nesse sentido ajuda.

4 - Que importância dá às antologias e colectâneas?

Eu me lembro de ter conhecido Auta de Souza em uma Antologia poética, e nunca mais deixei de ler. Olavo Bilac me conquistou ainda criança da mesma forma com o poema "O pássaro cativo". Antologias são maravilhosas! Belas maneiras de conhecermos autores novos. E quem diria que um dia eu seria uma dessas autoras? A vida é mais louca que eu! rs.

5 - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?

As redes sociais são muito importantes. Foi através delas que comecei a divulgar meus poemas e contos. E também conheci tantas pessoas maravilhosas e oportunidades únicas, como participar do Conexões Atlânticas, por exemplo.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

Infelizmente livros não são valorizados no Brasil. A população foi ensinada a não gostar de ler, para ter menos acesso à informação e até mesmo ignorar a mesma pela incapacidade de interpretar um texto. Veja a taxa de analfabetismo funcional no Brasil. Esse é o ponto negativo. Todos os outros são positivos. Escrever é voar. Ler é procurar nas palavras tesouros preciosos! Tudo é possível no universo da leitura e escrita!

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?

Acredito que bons amigos são importantes em tudo, nisso foram o essencial para mim. Fora isso, acho que boas editoras e uma boa divulgação também contam muito.

8 - Quais os projectos para o futuro?

Falo 4 idiomas atualmente, quero falar ao menos 5, para depois querer 6... É assim que se conquista, um após o outro. Na escrita, desejo escrever e ser lida por quem gostar. Conquistar leitores é abrir universos dentro de pessoas. Isso é lindo!

9 - Sugira um autor e um livro!

Quero sugerir o "Beijos de Marfim" de Ana Paula Sobrinho. Os poemas são verdadeiramente beijos de marfim. Maravilhosos!

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Pergunta: O que é escrita para você?
Resposta: É alcance.

Acompanhem, curtam e divulguem esta e outros autores através deste link

quinta-feira, 22 de março de 2018

EU FALO DE... DESCULPAS DE SEMPRE



Todos sabemos que a vida é cheia de imponderáveis e surpresas de última hora. E como todos têm consciência desta possibilidade, não raras vezes (para ser simpático e não dizer "demasiadas vezes"), usam-na como desculpa para justificar ausências.

Não é a primeira vez que falo deste tema e, em todas as outras vezes, dei o exemplo de alguém que me pergunta: "Para quando o próximo livro?" e sempre que lanço um (já foram oito) morre-lhe um familiar. Inclusive, já lhe transmiti que estou seriamente a pensar deixar de editar para evitar que fique só neste mundo. Mas essa história já é por demais conhecida e o propósito deste texto é outro.

Recentemente estive no lançamento da obra colectiva VOZES IMPRESSAS, coordenada por Adriana Mayrinck, e pude constatar que na plateia, de mais ou menos 50 pessoas, estavam menos de metade dos autores participantes, mas com uma peculiaridade que não podia deixar de comentar.

Tal como referi na minha intervenção, de apresentação da obra, é muito interessante, e revelador, ver gente que se deslocou, de Tomar, Gaia e Matosinhos, até Lisboa, para interagir com outros autores pouco mais de hora e meia, e regressar, enquanto a maioria, que reside próximo da zona onde o evento foi realizado, fez questão de não aparecer.

Como referi, na introdução deste texto, há sempre imponderáveis e todos estamos sujeitos a imprevistos, mas também não deixa de ser verdade que, excepções à parte, os ausentes foram os mesmos de sempre.

Existem hábitos que dificilmente mudarão, tal como as desculpas para justificar ausências. O tempo nunca é adequado, a hora é sempre imprópria, o local não é o melhor, etc. Quem melhor que os de Tomar, Gaia e Matosinhos para dar razão a essas desculpas!

MANU DIXIT

quarta-feira, 21 de março de 2018

ADRIANA FALA DE... OLHA-ME COMO QUEM CHOVE


Ler Alice Vieira é transportar-se para perto de uma lareira, onde o crepitar das chamas aquece e ao mesmo tempo, se ultrapassarmos um limite, nos queima. É o sentimento à flor da pele, a poesia despida e transparente. O sentir latente e real, quase que transportado para o concreto. É sentir-se confortável no aconchego de uma leitura sempre bem elaborada, bem escrita, onde as palavras mesmo com lirismo ou metáforas, são palpáveis e simples, que acarinham e despertam, envolvem ou simplesmente contam uma história, em cenas cotidianas, tão comuns a todos nós. Mas com a licença dos deuses concedida a  poucos e Alice Viera tem, de preencher todos os espaços das entrelinhas com a sua alma, que carrega a arte, o belo, o sentir em sua total plenitude e intensidade, apesar da racionalidade e observação prática evidente na suas obras.

Mesmo que a atemporalidade esteja bem presente, as perdas ou ausências, emocionam e somos tocados pelo vazio como se aquele instante também fizesse parte da nossa história, mas logo em seguida, mergulhamos nas profundezas de um estado quase letárgico, tão íntimo e profundo, que sua poesia sempre nos conduz, como se a plenitude fosse o lugar de chegada, o abrigo que buscamos toda a nossa existência, como bálsamos para aliviar as jornadas entre as pedras e abismos de nós. E mesmo que a intenção seja sacudir nossos alicerces, retirar o mofo da mesmice e direcionar os sentidos para o que realmente importa no ser, sentir, vivenciar, aquela sensação de bem estar, após a sua leitura, permanece.

É esse estar à beira mar, com gaivotas deslizando na brisa, em total liberdade e sentidos apurados, na calmaria, do ir e vir das ondas em sinfonia permanente que o ler Alice Vieira, conduz, que nos faz transbordar de contentamento ao apreciar a arte das palavras sempre tão bem-vindas. É como aquele colo que nos envolve, o sorriso que afaga, como a mão amiga que conduz, aquele instante que não volta mais e permanece ecoando na lembrança. Ler Alice Vieira é como o entardecer, seja no verão ou no inverno, com suas cores, cheiros e sabores que ficam bailando no ar.

Foi assim que me descobri em seus poemas e os sigo, há mais de dez anos, quase que guardados em um relicário de sensações e emoções identificadas a cada leitura.

E reencontro-os a cada livro lançado. E não podia ser diferente em OLHA-ME COMO QUEM CHOVE. Talvez um livro de memórias, de instantes e vivências, de distâncias e proximidades, de observações e intensidades, de afetos e partidas, de lembranças , de ecos do passado na celebração da vida presente, do pensar no além daqui, como parte do inevitável, mas vivido tão intensamente que permanece nas marcas do lado de dentro, ou simplesmente um livro de amor, com o que não se pode reter em vida. Mas pode se guardar e levar, na alma.

DRIKKA INQUIT

terça-feira, 20 de março de 2018

DEZ PERGUNTAS A... TACIANA VALENÇA

Agradecemos à autora TACIANA VALENÇA a disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Como se define enquanto autor e pessoa?

Uma pessoa prática, intensa, sincera e inquieta. Gosto de objetividade e não sou muito de entretantos. Persigo alguns objetivos na vida com mais paixão do que razão. Levo para minha poesia esta característica. Sou intensa e profunda, não me importando com julgamentos. Escrevo como quem explode e vivo de explosões diversas.

2 - O que a inspira?

Na oficina que fazia com Raimundo Carrero, esta era uma discussão. Ele dizia que não existia inspiração, o que existia e existe é uma explosão.  
Explosão de tudo o que se vivencia e se lê. Concordo, em parte. 
Acho que existe também o dom, a facilidade com que uns escrevem em detrimento de outros, que até falam bem, mas na hora de se expressarem na escrita tem dificuldades. 
Acho que os escritores de romance podem sim, trabalhar exaustivamente sua escrita, mas poeta, poeta nasce poeta e inspiração de poeta pode ser tudo, ou nada. 
Claro que o que vive, viveu e percebe tem influência, mas na hora que passar para o papel, aí sim, percebemos quem é ou não poeta. Minha inspiração vem de qualquer coisa, mas minha inquietação sobre a vida fala alto nos meus poemas.

3 - Existem tabus na sua escrita? Porquê?

Não. Não tenho nenhuma espécie de tabu.

4 - Que importância dá às antologias e colectâneas?

Já participei de várias, nem sei mais de quantas. Acho importante como exercício e divulgação.

5 - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?

Confesso que poderia ter mais impacto e que sou um pouco dinossaura em redes sociais. Mas tenho um Blog, que por não divulgar tanto não tem muita visitação, tenho uma página que se chama Pétalas no facebook e posto algumas coisas num site de escritores e na minha própria página. Acho que é sim, um instrumento poderoso de divulgação. Talvez eu não esteja dando a importância devida.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

Escrevi uma vez sobre a responsabilidade do escritor. Acho que tudo é muito fácil hoje. Quando digo que qualquer pessoa pode escrever um livro, digo com uma grande preocupação com o que se lê hoje. 
Inclusive (e por que não), antologias, que parecem ter virado uma maneira de se ganhar dinheiro, não importando muito a qualidade de nada. Isso prejudica muito a boa literatura. 
Não estou falando aqui da Conexões, porque conheço a seriedade de quem faz, mas de muitas outras. 
O que acho é que qualquer pessoa que goste de escrever pode sim, escrever um livro, participar de antologias, mas, deve ter o respeito pelos leitores e ter senso crítico, além de investir na qualidade da sua escrita. Pontos positivos existem e sempre existirão, resta ao escritor estar disposto a, primeiro, ler os bons autores, segundo, fazer oficinas literárias e entender que tem grande responsabilidade a partir do momento que resolve fazer um livro, seja romance, poesia ou outros.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?

Qualidade da obra do autor, sem dúvidas.

8 - Quais os projectos para o futuro?

Com apenas dois livros infantis publicados em 2010 (e não comercializados), este ano sai o meu primeiro livro de poesias. Os projetos, a princípio, são investir um pouco mais na minha escrita. Gosto muito de escrever histórias infantis, crônicas e contos, pretendo dedicar mais tempo a esses tipos de textos literários, mas não de qualquer forma, gosto de uma escrita limpa, objetiva, mas que tenha um quê de originalidade.

9 - Sugira um autor e um livro!

Gabriel Garcia Marquez – Cem anos de Solidão, acho incrível.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Porque a preferência pela poesia? (pois tenho mais de duas mil escritas)

A poesia para mim é uma explosão momentânea, uma necessidade, uma terapia. Ajuda a expurgar o que está em mim ou no Universo onde habito e isso é necessidade imediata, não pode esperar.


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