quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

AS CRÓNICAS DA AVÓZITA... ANTOLOGIAS E COLECTÂNEAS


Hoje apetece-me escrever sobre um tema que parece fazer confusão a muito boa gente.

Sim, participo em todas as antologias e colectâneas para as quais seja convidada, desde que não me exijam a compra de mais do que um exemplar.

É verdade que já tenho mais do que um livro publicado, de poemas escritos só por mim, porque hei-de então “misturar” aquilo que escrevo, com poemas de outras pessoas que poderão, ou não, escrever como eu?! A resposta é simples, foi assim que comecei, entrando em antologias e colectâneas e dando a conhecer os meus poemas. Também assim, fui lendo outros autores e, com alguns deles, aprendendo.

E depois destas conjecturas, é evidente que continuarei a participar em antologias e colectâneas, mas, ressalvo, desde que não me exijam o pagamento de mais do que um exemplar.

MARIA ANTONIETA OLIVEIRA


terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

EU FALO DE... POLICROMIA PARA CEGOS


Em outubro de 2012, movido pela curiosidade que a apresentação de um livro me suscitou, acabei por conhecer Jesús Recio Blanco e, desde esse dia temos conversado algumas vezes, via redes sociais, sobretudo de poesia.

Numa dessas conversas, foi-me enviado, um conjunto de textos para análise e respectiva opinião. O conteúdo dos poemas que li e a ideia adjacente ao projecto, que o Jesús Recio Blanco teve a bondade de partilhar comigo, deliciaram-me e manifestei-lhe isso mesmo.

Passado algum tempo (talvez quase dois anos) e depois de ser confrontado com a dificuldade de editar o livro nos moldes que pretendia, Jesús Recio Blanco desafiou-me a contribuir, com textos meus, numa versão distinta do seu projecto inicial. Isto é, em vez de um livro bilingue (português/braille), seria um livro feito a duas vozes, tendo por base temática a cegueira.

Confesso que senti o peso da responsabilidade inerente ao meu envolvimento nesse projecto mas, como sou um homem que gosta de desafios, aceitei na esperança de conseguir estar à altura e corresponder ao que de mim era pretendido.

Com esse propósito e sem afastar-me dos meus hábitos, no que ao processo criativo diz respeito, fiz todo o trabalho de pesquisa, elaboração e construção de textos, limando aqui, eliminando ali, acrescentando acolá e, ao fim de nove meses e duas semanas, achei ter chegado ao resultado esperado e enviei o material para o Jesús Recio Blanco.

O entusiasmo com que reagiu ao que lhe enviei levou-me a sugerir que sujeitássemos a globalidade do trabalho ao crivo analítico de alguém cuja capacidade e conhecimentos poéticos nos garantisse um olhar isento, directo e crítico.

A verdade é que a resposta que obtivemos ultrapassava em muito as nossas melhores expectativas e a força das palavras recebidas, e erros apontados, deu-nos o empurrão que faltava para levarmos adiante o projecto POLICROMIA PARA CEGOS.

Perante a certeza de estarmos com um trabalho que merecia ser editado e, consequentemente, levado ao conhecimento dos leitores, iniciámos todo o processo de elaboração final do livro. Em primeiro lugar decidimos prescindir dos direitos de autor em favor da ACAPO - Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal. Posteriormente, chegámos à conclusão que Alvaro Giesta, não só pela opinião que nos tinha dado sobre o trabalho, mas também, era a pessoa ideal para prefaciar a obra. Nosso primeiro grande acerto. Por sugestão minha, convidámos a Ana Areal para fazer a ilustração para a capa e, de mútuo acordo, achámos que seria boa ideia colocar, na contracapa, um texto seu explicando a imagem concebida. O resultado não poderia ser melhor. Segundo grande acerto.

Depois de tudo decidido restou-nos enviar o material para a editora e esperar pela marcação da sessão de lançamento. Quando chegou a confirmação final de data e local do evento convidei Francisco Valverde Arsénio para ser o apresentador desta obra.

25 de Fevereiro de 2018 acabou por revelar-se um dia agridoce. O que deveria ser um momento de comunhão, partilha e, acima de tudo, festa da poesia, teve o sabor amargo da ausência do elemento génese do projecto (Jesús Recio Blanco) e o imprevisto, a que todos estamos sempre sujeitos, do atraso involuntário do apresentador da obra. Perante a inevitabilidade de, pela primeira vez no meu percurso, ter de iniciar um evento depois da hora marcada, servi-me da capacidade de improviso e depois a coisa encarrilou.

Na mesa ficaram: o editor António Vieira da Silva, a ilustradora da capa Ana Areal - a quem agradeço a disponibilidade de sentar-se ao nosso lado para dar um colorido diferente - e eu, em representação dos autores.

Após as boas-vindas por parte do editor e uma pequena intervenção de Ana Areal, coube-me a tarefa de explicar, a cronologia de todo o processo, tal como relatei neste texto. A minha dissertação permitiu, e ainda bem, que, entretanto, Francisco Valverde Arsénio chegasse, a tempo de falar, aos presentes, e revelar as suas impressões sobre o POLICROMIA PARA CEGOS. Terceiro grande acerto.

Para finalizar a descrição do evento falta fazer referência aos presentes, poucos mas bons, que interagiram de forma a permitir-me dizer que este POLICROMIA PARA CEGOS foi entregue a bons leitores.

MANU DIXIT 

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

EU FALO DE... PROPRIEDADE INTELECTUAL


Numa conversa de amigos foi-me perguntado se os autores deixaram de se preocupar com a propriedade intelectual dos seus escritos. A pergunta é pertinente e, numa primeira reacção, o mais lógico seria responder "Não". No entanto, a veracidade dessa resposta não é tão óbvia, como à partida se poderia supor, tendo em conta a profusão de situações, que podemos ver todos os dias, de total e completa ausência de cuidado e bom senso, por parte de muitos autores - para não dizer da maioria.

Como administrador de alguns grupos de Facebook e coordenador de iniciativas literárias, tenho-me deparado com uma onda crescente de despreocupação e desinteresse no que a este tema diz respeito.

Confesso que, em parte e porque sou apologista de que cada um deve tomar conta de si e assumir as consequências dos seus actos, não me preocupa o facto de ver autores publicarem diariamente resmas de textos, uns após os outros, sem critério ou cuidados. Nem me choca a quantidade industrial de textos que muitos enviam para os concursos literários (há quem participe com material suficiente para fazer um livro).

Não sou adepto dessa forma de divulgação e auto promoção mas compreendo que haja quem necessite, como pão para a boca, de estar constantemente a atirar-se para os focos de luz para conseguir visibilidade, se é que esses focos de luz e visibilidade existem.

Não me preocupo com este género de comportamentos mas estranho que quem assim actua não se aperceba dos riscos que corre.

À primeira vista, pode parecer que nenhum dos exemplos referidos se enquadra na questão da propriedade intelectual, contudo, essa ligação existe porque a quase totalidade dos textos não estão registados e facilmente podem ser objecto de usurpação por terceiros.

É evidente que a publicação desenfreada nas redes sociais é mais propícia a este tipo de consequências mas não correm menos riscos se o fizerem noutras situações.

Mas esta problemática não se esgota nos casos acima citados. Mais grave ainda, e sintomático do desleixo dos autores em relação à propriedade intelectual, é a ausência de preocupação em cobrar junto das editoras os valores resultantes dos direitos de autor. Muitos queixam-se mas poucos, ou quase nenhuns, tomam medidas. Medidas essas que devem sempre começar na hora de assinar contratos. Medidas essas que passam por exigir esse pagamento, nem que seja um valor residual.

À pergunta - Os autores deixaram de se preocupar com a propriedade intelectual? - a resposta mais óbvia seria "Não" mas a verdadeira resposta deveria ser "Sim". Cada vez mais, chego à conclusão que os autores estão demasiado ocupados, em permanecer sob os focos da falsa visibilidade, para se preocuparem com os aspectos mais relevantes da sua condição de autores.

Mas, como disse anteriormente, cada um deve tomar conta de si e assumir as consequências dos seus actos.


MANU DIXIT

domingo, 25 de fevereiro de 2018

ADRIANA FALA DE... POLICROMIA PARA CEGOS

O tempo. A vida. A invisualidade. A poesia. A imortalidade. E tudo o que envolve e está inserido nesses elementos, o livro POLICROMIA PARA CEGOS traz em todo o contexto da obra e além das entrelinhas. Um trabalho bem elaborado e lapidado por quatro mãos. As mãos que direcionam as palavras que bailam na não visão, mas que fazem ecos no sentir. A percepção dos poetas que atrevem-se a vivenciar experiências que não lhe são comuns para despertar a atenção para aqueles que nos rodeiam e diferem por estarem em paralelo e, ao mesmo tempo, em um mundo íntimo e desconhecido para nós, que temos um sentido a mais.

A liberdade de expressar o que supostamente é percebido de um modo diferente, em forma de poesia, com palavras utilizadas em completude e sintonia por dois poetas que fizeram da arte da escrita, e de vivências distintas, uma pequena e significativa obra que enternece e alimenta a alma, a cada página virada. O lirismo que escorre por entre as linhas e por nossos olhos úmidos, ao depararmos com a harmonia e a leveza poética de um estado não comum em nosso pensar. Perceber o outro, a vida e os seus significados além do que se vê. Entrar em um mundo tão particular, se deixar ficar, explorar e vivenciar sem pré-conceitos ou resistências.

Jesús Recio Blanco e Emanuel Lomelino mergulharam a fundo nessa escuridão que antevê a luz, a sensibilidade do olhar para o que não se vê, o tempo de construção poética, a arte intrínseca no mundo que se faz descoberto sem a experimentação, a percepção do sentido do outro, com suas vivências, dificuldades, agonias e libertação, a essência individual na análise cotidiana e a visão de quem está do lado de fora olhando para o não comum, convida o leitor a apurar os sentidos e desnudar-se do habitual.

POLICROMIA PARA CEGOS fala do tempo com ou sem limitações, fala da vida interior, do seu transbordar e da lição que ela nos traz, fala dos invisuais e de suas percepções, fala da imagem de uma escuridão iluminada, das experiências do outro que se faz oculto por um limite imposto, da imensidão do sentir dos poetas, da solidariedade e atenção, fala das diferenças. Fala da arte das palavras, desde a imagem da capa, ao pulsar inerente de cada poema, que transforma o instante da leitura em um fio condutor para o despertar da imortalidade, de uma outra visão, a interior, que ultrapassa a última página.

DRIKKA INQUIT

sábado, 24 de fevereiro de 2018

FALA AÍ BRASIL... CRISTINA LEBRE (V)

VÍRGULAS, ACENTOS, PONTOS: CADA QUAL EM SEU LUGAR!

Há tempos penso em montar esta página, não somente para divulgar meu trabalho como revisora como também, e essencialmente, para chamar a atenção das pessoas sobre o o uso do nosso Português na linguagem escrita. É impressionante a quantidade de erros cometidos pelo brasileiro em geral, independentemente da escolaridade, região em que nasceu ou do segmento social a que pertence. Como revisora há mais de duas décadas, sofro diariamente ao testemunhar o assassinato, com requintes de crueldade, cometido pela população contra a nossa amada língua.
Vírgulas, pontos e crases são, literalmente, execrados em vários textos que se lê por aí. Um exemplo clássico é o "perdão, impossível atender agora", quando muita gente troca a vírgula e muda todo o sentido da frase, passando a ser "perdão impossível, atender agora." Não raros também são aqueles parecem nunca ter ouvido falar em vírgula, matando o leitor de falta de ar.
Pontos nem sempre são bem utilizados. Vejo muita gente dividir uma frase com ponto, quando deveria pontuá-la com vírgula. Exemplo: "Serei escolhido para ocupar o cargo. A não ser que eles prefiram uma mulher." Não, gente, por favor, não é assim, não se começa uma oração com a locução "a não ser que". Na verdade a frase não acabou, ela continua, é preciso apenas colocar uma vírgula para poder respirar. Ou então "Estudei muito hoje. Ficando com a vista doendo." NÃÃÃOOOOO!!!! Do mesmo modo, a frase não acabou, só requer uma pausa, ou seja, uma vírgula! Sem falar no quanto é TENEBROSO começar uma sentença com gerúndio. Gerúndio é feio, pessoal, até no meio, que dirá no início de uma frase!
E a crase? Ai, essa parece ser o monstro mais horrível da Língua Portuguesa!!! As pessoas colocam crase onde não tem e não a colocam onde tem. É um verdadeiro martírio revisar um texto de alguém que ama - mas não entende nada de - uma crase. "Obrigado à todos" não existe! Um "a" craseado é a flexão do artigo com a preposição. A regra é simples: em – quase - todos os casos, basta você converter o "a" para o masculino e ver se ele vai se tornar um "ao". Como em "vou à médica", se for para o masculino vira "vou ao médico." Se não vira "ao" no masculino quer dizer que NÃO TEM CRASE!!!!!
Quase perco o controle quando o assunto é o Português e a obediência à (com crase) norma culta na linguagem escrita. Por isso mesmo não vou me alongar mais. Não sou melhor nem pior do que ninguém, apenas uma profissional da área. E, como tal, tenho acessos de inconformismo com a deficiência da maior parte dos 200 milhões de brasileiros quando vão escrever um texto, seja ele a mão (sem crase) ou no computador. Sei que o problema vem da educação de base. E que uma das maiores carências que se apresentam é a de leitura. Por isso vamos ler, pessoal. Se não largam o celular leiam nele mesmo, não somente posts dos amigos, mas literatura também. Faz bem ao cérebro e à cultura. A língua portuguesa agradece. Abraço fraterno a todos!

Cristina Lebre
Jornalista, escritora, revisora de textos acadêmicos e livros, apresentadora de eventos e secretária executiva. Cristina Lebre é autora dos livros "Olhos de Lince" e "Marca D'Água", à venda nas livrarias Gutemberg de Icaraí e São Gonçalo - ou diretamente pelo e-mail lebre.cristina@gmail.com