quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

FALA AÍ BRASIL... JOÃO AYRES (XVII)

Tragédia número 10

Demônios têm a capacidade de tomar o corpo de quem quer que seja.Não que Armando, o pai da filha envenenada por Matias, houvesse deliberadamente feito um pacto com  o mal, mas naquele dia ele acordou estranho, com o tal olhar estranho, naquele como se não fosse que aponta para a nítida possibilidade de desgraçar a sua vida e a vida dos outros.
Não foi à toa que ele cruzou o caminho do comedor profissional Freitas no tal bar naquele tal dia.
Freitas como é sabido, após passar um tempo no hospital e ser hostilizado por Matias, sofreu um acidente vascular cerebral e passou a mancar e a falar com dificuldade, fato este que fez com que Matias vibrasse de felicidade.
Bem, Armando cruza o caminho de Freitas e os dois começam a conversar e Armando fala sobre sua filha e quando diz onde ela trabalhava e menciona o seu nome, Freitas enrusbece e declara  que a conheceu e mente dizendo que era representante comercial da tal firma e que visitava a referida constantemente para fechar negócios de toda sorte.
Armando fica feliz em saber do fato e diz que não vai sossegar enquanto não acabar com a vida de Matias.
Freitas diz que um ser humano desta espécie tem que morrer.
Freitas mais feliz do que nunca com a possibilidade de se vingar de Matias. Freitas que agora se lembra da maldição que Matias jogou sobre ele.
Freitas que sente saudades do corpo da tal Aparecida. Ele que fazia gostoso com ela, ela que fazia gostoso com ele.

Armando e Freitas agora enredados nesta expressão dúbia
Best Friends Foverer.



terça-feira, 9 de janeiro de 2018

EU FALO DE... REGOZIJO E FRUSTRAÇÃO


Uma das vantagens de ser responsável pela coordenação de livros, sejam colectivos ou individuais, é ter a possibilidade de ler, em primeira mão, textos inéditos de autores que, à partida, me garantem a qualidade literária que creio ser essencial neste género de trabalhos.

Acossado pelo conhecimento aprofundado que tenho dos autores que abordo e partindo do princípio que todos eles mantém a mesma linha qualitativa que me faz convidá-los para integrarem os projectos em que me envolvo, raras são as ocasiões em que algum me consegue surpreender.

No entanto, existem sempre esses momentos em que, sem aviso prévio, sou brindado com autênticas pérolas literárias que me apanham completamente desprevenido. Já aconteceu no passado, voltou a acontecer recentemente e, assim me permita o destino, mais acontecerão no futuro.

Sirvo-me dos três parágrafos anteriores para demonstrar o meu regozijo por ter a possibilidade de, através dos trabalhos que tenho feito, experimentar a honra de ser o primeiro a ter nas mãos verdadeiras obras primas da língua portuguesa.

Nesses momentos, a única frustração que me consome é não ter meios nem conhecimentos que me permitam dar a esses autores a visibilidade que as suas criações merecem, levando-as a patamares mais elevados.

MANU DIXIT


segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

FALA AÍ BRASIL... LÚCIO MUSTAFÁ (VII)

A DEFORMAÇÃO DO NOSSO SER
promovida pela educação burguesa. 

COMO ENTENDÊ-LA E COMO SUPERÁ-LA
Pensando nos/nas jovens e nas crianças que esperam encontrar um mundo de adultos capazes de lhes guiar na estrada da sabedoria e da felicidade, mas terminam mal orientados e se transformando nos mesmos seres impotentes em relação ao saber lidar com a vida, com os próprios sentimentos e com o sentimento das outras pessoas, foi que eu escrevi este texto, na esperança dele ajudar alguém a melhorar-se como ser vivo e social que busca ter, durante a vida, orgulho de ser quem é e satisfação por não ter feito mal a si mesmo/a nem a ninguém no decorrer dos anos.
Boa Leitura.
Eu percebo, depois de muito observar o que costuma acontecer nas relações de cada um consigo mesmo e de cada um com os outros, que a maioria das pessoas é imatura emocionalmente.
Não se aprende a tratar os outros, nem a nos mesmos/as sabemos tratar.
Depois de anos notamos de quanta coisa deveríamos ter cuidado para evitar perdas graves e irreparáveis que se perdeu para sempre.
Se cuida muito de obrigações ligadas a se manter vivo e se esquece de outras que faz com que a pessoa se mantenha bem.
Até os mal-tratos e os descasos que temos com outras pessoas, no futuro nos farão mal, pois elas podem até morrer, em parte, por conta daquele mal-trato.
Somos seres muito sensíveis e qualquer coisinha pode nos ferir de uma ferida que não sara fácil, mas a educação para o egoismo, desde crianças faz a gente não prestar atenção a detalhes, que são, na hora H, super importantes.
Aí o melhor é, já sabendo disso, se cuidar e cuidar o melhor possível dos outros, mas saber que em geral os outros não vão saber cuidar bem de nós não. Simplesmente porque a educação que a burguesia implantou na civilização ocidental é voltada para resumos e não para detalhes: se quer resumir ao máximo para que a pessoa corra logo para garantir o "futuro".
Mas o futuro é visto só como um emprego que permita ter um teto, uma feira mensal, roupas, calçados, medicamentos, médicos e basta, o resto é considerado resto: é considerado supérfluo.
De repente aquilo emerge e se mostra fundamental para a felicidade.
Aí quando se pensa no amor a coisa é jogada para o plano das idiosincrasias, ou seja, cada um que invente (seguindo seus impulsos, segundo seus recalques) o modo como vai reagir com o/a outro/a. Mas o outro/a pode estar vulnerável, naquela hora, pode estar confiante que está nas mãos e alguém super sensível e capaz de perceber a delicadeza de uma alma.
E aquela confiança se torna problemática, pois quem é criado para reagir com impulsos só pode fazer, de repente, coisas estabanadas. E vai depois continuar fazendo coisas estabanadas pelo resto da vida, se não se der conta do estrago que faz, sendo daquele jeito.
A educação burguesa não quer saber não: a pessoa se justifica dizendo que é daquele jeito e que não muda, pois ninguém é capaz de mudar o jeito que tem.
Então a vai ficando cada vez mais complicada e se instala mil impossibilidades, num cenário que deveria ser de mil possibilidades.
Poder-se-ia criar um antídoto para esse grave problema que ataca, praticamente, todas as populações civilizadas?
Só uma mudança radical na educação doméstica e escolar poderia conseguir tal façanha, mas tal mudança terminaria sendo o reflexo de uma mudança de sistema de vida em geral: terminaria sendo o reflexo de um outro modo de vida que não fosse o modo burguês de viver, um modo voltado para saborear os detalhes ao invés de ser, como tem sido e ainda é, o modo de vida de quem vive para açambarcar o máximo de coisas de fora para juntar como um tesouro.
Terminou que todo mundo só quer ter e ter mais, como se a sensação de posse completasse a razão mesma de ser da pessoa, mas esse eterno juntar, esse eterno amontoar de coisas só reflete a tentativa (em vão) de se tapar o buraco que fica por não se estar se trabalhando interiormente no dia-a-dia.
Mas se trabalhar interiormente deveria ser o costume de todos, desde a infância.
Porém, nossa cultura burguesa é voltada para se expandir e não tanto para se internalizar e sem um trabalho interno constante, como é que vamos nos melhorar? Como poderemos chegar a nos transformar em pessoas sábias? A burguesia não se interessa nos sábios, pois para ela o que importa é ter e não ser.



domingo, 7 de janeiro de 2018

ADRIANA APRESENTA... JOÃO AYRES

Se a primeira impressão é a que fica, o sambista e poeta João Ayres, é daquelas pessoas que de imediato causa uma boa impressão. Aquele Mestre na arte do samba e da escrita. Passeia confortavelmente por vários estilos poéticos e em suas composições e textos  mostra  versatilidade e a criatividade nas diversas correntes literárias em que passeia. Foi em um trabalho como sua produtora, que percebi que era uma amizade, que vinha para ficar, aquelas que quase não se tem contato, mas a camaradagem permanece com o passar do tempo. E assim, apresento esse autor que lançou dois livros em 2017 (Gramática do Crucial Desespero e Poemas Escuros) e que faz parte da ASSESSORIA LITERÁRIA da IN-FINITA.

Podem acompanhar o autor neste link

sábado, 6 de janeiro de 2018

EU FALO DE... NEM TODOS OS AMORES CRESCEM

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO PELO AUTOR
Saibam do autor neste link
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O amor como fonte de inspiração. Um amor que foge. Outro amor que já foi e não é mais. Um ódio que nasceu de amor. Um amor que nunca foi nem nunca será.

O amor como fonte de inspiração. Pelo doce sabor de um beijo roubado, pelo toque de pele, pelo desejo incontrolável, pela paixão arrebatadora. Mas também pela dor que provoca, pela desilusão que proporciona, pelas dúvidas que suscita, pelas perguntas que nunca serão respondidas, enfim, o amor na sua mais imperfeita forma de ser sentido e vivido.

O amor como fonte de inspiração. Um amor que se move entre doutrinas e ideais. Um amor que se esconde na ânsia de se revelar. Um amor de conveniência que não convém a ninguém. Um ódio de estimação oculto, no entanto, aclamado.

O amor como fonte de inspiração. Um amor louco por acontecer. Uma loucura de amor. A loucura do próprio amor e do amor próprio.

É no cruzamento de todos estes amores, e das histórias que os suportam, que o autor faz todos os personagens reflectirem no amor que vivem, no que deixaram de viver, no que nunca viverão. É no entrelaçar de várias histórias que nascem outras histórias, nem todas de amor.

É no cruzamento de todos estes amores, e dos encontros e desencontros que os sustentam, que o autor faz os personagens deambularem, alguns de peito aberto, outros de peito ferido, mas todos em busca do ponto final das suas histórias de amor.

É no cruzamento de todos estes amores, alimentados de acertos e desacertos, de esperanças e angústias, de ausências e sufocos, de paixão e traições, que o autor cria diversos fios condutores que se unem num só propósito; encontrar o amor perfeito.

O amor como sinónimo de imperfeição porque mesmo sendo inspirador raramente é perfeito.


Eis NEM TODOS OS AMORES CRESCEM de ANDRÉ MARQUES

MANU DIXIT