domingo, 1 de julho de 2018

DEZ PERGUNTAS A... ILZA CARLA REIS


Agradecemos à autora ILZA CARLA REIS a disponibilidade em responder ao nosso questionário 

1 - Como se define enquanto autora e pessoa?

Diria que sou uma pessoa esperançosa, que crê no melhor das pessoas, ainda que, por vezes, meu olhar seja contagiado pelo cinza da paisagem que me cerca. Enquanto autora, não há como negar que o meu “eu pessoa” e o meu “eu autora” se convergem. Porém, considero minha escrita uma tela na qual pinto não somente o que veem meus olhos, mas, e talvez muito, o que meus olhos veem nos olhos dos outros, isto é, minha escrita traduz um pouco do aqui (eu) e do acolá (outras pessoas, outros lugares). 

2 - O que a inspira?

Minha escrita é um retrato do que meus olhos veem, meus ouvidos ouvem, meu coração sente. Assim, posso dizer que o que me cerca me inspira, sejam as dores ou as alegrias, mas, de modo especial, as coisas mais simples do cotidiano.

3 - Existem tabus na sua escrita? Porquê?

Essa é pergunta difícil de ser respondida, uma vez que o que pode ser tabu para mim pode não o ser para outrem. Mas, de modo geral, posso dizer que minha poesia não tem tabus, a não ser pelo fato de expressar-me, enquanto mulher, a partir de um lugar de dizer numa sociedade extremamente machista. Ainda assim, reconheço que minha “pena” é muito leve...

4 - Que importância dá às antologias e colectâneas?

A meu ver, especialmente por estar distante dos grandes centros, onde se concentram as atividades literárias e culturais, grandes editoras etc., as antologias e coletâneas são importantes por possibilitarem que minha escrita dialogue com outras escritas e que minha poesia alcance outros olhares.

5 - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?

Elas são fundamentais, de fato! Antes, meus textos eram “engavetados”, como acredito que tenha ocorrido com muitas escritoras e escritores. Até um dia em que eu publiquei um poema numa rede social. Uma ex-professora, na época, e também escritora, leu, gostou e me convidou para integrar um grupo de escritoras baianas, à época recém-criado, a Confraria Poética Feminina. Daí em diante, não mais engavetei meus poemas. Além de estimular ainda mais minha escrita, afinal, seria hipocrisia dizer que escrevemos pra nós mesmos, as redes sociais permitiram-me compartilhar minha poesia com os “de perto” e os “de longe”, que nem sabiam que eu escrevia, incluindo minha família.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

Essa pergunta é bastante abrangente e, por isso, a resposta pode tomar muitos rumos...
De modo geral, posso afirmar que há muitos pontos positivos, tais como o fato de, pela escrita, expurgarmos um tanto nossas dores, termos por ferramenta a palavra, como forma de alcançar o coração e a consciência das pessoas etc. Os pontos negativos poderiam ser de ordem diversa também, mas apontaria, nesse momento, especialmente a dificuldade que há, ainda em nosso país, de acesso ao universo literário às mulheres escritoras. Essa dificuldade tende a ser maior ainda se considerarmos o fato de que, além de ser mulher, sou nordestina, residindo distante dos grandes centros. Mais recentemente é que têm surgido projetos que buscam dar visibilidade às mulheres escritoras, que sempre escreveram – diga-se de passagem –, mas não tinham seus trabalhos divulgados na mesma proporção que a dos homens. E esse é um percurso ainda longo!     

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?

Sinceramente? Nunca parei pra pensar nisso. Acredito que mais importante que a divulgação de um autor seja a divulgação da literatura, da sua literatura, de modo a provocar nas pessoas o exercício da leitura como uma necessidade vital do ser humano!

8 - Quais os projectos para o futuro?

Nossa! Que pergunta complexa! Tenho tantos sonhos! O fato de estar envolvida no grupo Confraria Poética Feminina me faz estar envolvida em muitos projetos. Porém, sem dúvida, o mais significativo deles é o fato de estar preparando a publicação do meu primeiro livro solo de poesias – Poemeadura – pela editora Mondrongo. O filho está sendo gestado a bastante tempo, mas, agora, posso vê-lo já em trabalho de parto! Além disso, quero continuar escrevendo, escrevendo, aventurando-me por outras “terras”, inclusive!

9 - Sugira um autor e um livro!

Eis um pedido bastante difícil! São tantos que nos constroem enquanto escritores, enquanto pessoas... Mas, sem mais delongas, vou citar Clarice Lispector e seu livro Felicidade Clandestina!

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Sinceramente? Qualquer pergunta seria bem-vinda!

Acompanhem, curtam e divulguem esta e outros autores através deste link

1 comentário:

  1. Essa moça é de uma sensibilidade e sutileza nas respostas admirável. Quanta sensatez e maturidade em suas reflexões Ilza Carla. Parabéns! Me inspirou devanear nos meus pensamentos.

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