segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

EU FALO DE... PROPRIEDADE INTELECTUAL


Numa conversa de amigos foi-me perguntado se os autores deixaram de se preocupar com a propriedade intelectual dos seus escritos. A pergunta é pertinente e, numa primeira reacção, o mais lógico seria responder "Não". No entanto, a veracidade dessa resposta não é tão óbvia, como à partida se poderia supor, tendo em conta a profusão de situações, que podemos ver todos os dias, de total e completa ausência de cuidado e bom senso, por parte de muitos autores - para não dizer da maioria.

Como administrador de alguns grupos de Facebook e coordenador de iniciativas literárias, tenho-me deparado com uma onda crescente de despreocupação e desinteresse no que a este tema diz respeito.

Confesso que, em parte e porque sou apologista de que cada um deve tomar conta de si e assumir as consequências dos seus actos, não me preocupa o facto de ver autores publicarem diariamente resmas de textos, uns após os outros, sem critério ou cuidados. Nem me choca a quantidade industrial de textos que muitos enviam para os concursos literários (há quem participe com material suficiente para fazer um livro).

Não sou adepto dessa forma de divulgação e auto promoção mas compreendo que haja quem necessite, como pão para a boca, de estar constantemente a atirar-se para os focos de luz para conseguir visibilidade, se é que esses focos de luz e visibilidade existem.

Não me preocupo com este género de comportamentos mas estranho que quem assim actua não se aperceba dos riscos que corre.

À primeira vista, pode parecer que nenhum dos exemplos referidos se enquadra na questão da propriedade intelectual, contudo, essa ligação existe porque a quase totalidade dos textos não estão registados e facilmente podem ser objecto de usurpação por terceiros.

É evidente que a publicação desenfreada nas redes sociais é mais propícia a este tipo de consequências mas não correm menos riscos se o fizerem noutras situações.

Mas esta problemática não se esgota nos casos acima citados. Mais grave ainda, e sintomático do desleixo dos autores em relação à propriedade intelectual, é a ausência de preocupação em cobrar junto das editoras os valores resultantes dos direitos de autor. Muitos queixam-se mas poucos, ou quase nenhuns, tomam medidas. Medidas essas que devem sempre começar na hora de assinar contratos. Medidas essas que passam por exigir esse pagamento, nem que seja um valor residual.

À pergunta - Os autores deixaram de se preocupar com a propriedade intelectual? - a resposta mais óbvia seria "Não" mas a verdadeira resposta deveria ser "Sim". Cada vez mais, chego à conclusão que os autores estão demasiado ocupados, em permanecer sob os focos da falsa visibilidade, para se preocuparem com os aspectos mais relevantes da sua condição de autores.

Mas, como disse anteriormente, cada um deve tomar conta de si e assumir as consequências dos seus actos.


MANU DIXIT

4 comentários:

  1. Faço saber, que A Ilucastana, está registada no IGAC, e tenho contrato com a editora, onde está salvaguardado, quanto recebo e de que forma.

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    1. Um caso não faz a regra...
      Grato pela visita comentada

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  2. Muito pertinente este artigo, Emanuel.
    Pessoalmente, faz-me uma certa confusão a demasiada exposição nas redes sociais e quando vejo um trabalho publicado na Net com a nota "a publicar" penso para mim: se o vais publicar porque já o estás a fazer?
    Também junto das editoras, regra geral, não existe a preocupação de salvaguardar os seus direitos... depois queixam-se!
    Mas é como dizes "cada um deve tomar conta de si e assumir as consequências dos seus atos".
    Talvez esta tua reflexão sirva para chamar a atenção dos que, por desconhecimento ou outra coisa qualquer, não se cuide como devia.
    Beijinhos e obrigada.

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