terça-feira, 9 de janeiro de 2018

EU FALO DE... REGOZIJO E FRUSTRAÇÃO


Uma das vantagens de ser responsável pela coordenação de livros, sejam colectivos ou individuais, é ter a possibilidade de ler, em primeira mão, textos inéditos de autores que, à partida, me garantem a qualidade literária que creio ser essencial neste género de trabalhos.

Acossado pelo conhecimento aprofundado que tenho dos autores que abordo e partindo do princípio que todos eles mantém a mesma linha qualitativa que me faz convidá-los para integrarem os projectos em que me envolvo, raras são as ocasiões em que algum me consegue surpreender.

No entanto, existem sempre esses momentos em que, sem aviso prévio, sou brindado com autênticas pérolas literárias que me apanham completamente desprevenido. Já aconteceu no passado, voltou a acontecer recentemente e, assim me permita o destino, mais acontecerão no futuro.

Sirvo-me dos três parágrafos anteriores para demonstrar o meu regozijo por ter a possibilidade de, através dos trabalhos que tenho feito, experimentar a honra de ser o primeiro a ter nas mãos verdadeiras obras primas da língua portuguesa.

Nesses momentos, a única frustração que me consome é não ter meios nem conhecimentos que me permitam dar a esses autores a visibilidade que as suas criações merecem, levando-as a patamares mais elevados.

MANU DIXIT


6 comentários:

  1. Excelente observação. De facto, há pessoas, que sem saber ler, têm um saber incrível. Conheço uma pessoa, que nem sabe escrever, é a filha que o faz, e tem textos maravilhosos. O ser humano é mesmo fantástico.
    Abraço,

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  2. Precisamente o que sinto, Emanuel, quando coordeno uma coletânea.
    O prazer ao receber os trabalhos e constatar a sua qualidade é enorme. Nalguns casos já o espero porque conheço o autor mas é igualmente um grande prazer receber um trabalho de alguém que não conheço e verificar a sua qualidade. Se, ainda por cima, é de alguém que nunca editou nada, fico até ansiosa, acreditas?
    Dar oportunidade a esses novos autores é tão gratificante!
    A frustração que te consome não a partilho, se têm valor há que continuar a incentivar e as oportunidades hão de surgir, se não pela minha mão, pela sua própria caminhada na escrita.
    As coletâneas têm também essa função, ajudar os novos autores a darem os primeiros passos.
    Beijinhos.

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    1. Se as caminhadas fossem mais lineares talvez a frustração não existisse... no entanto todos sabemos que nos dias de hoje ou se entra nos jogos de lobbie e influência ou não há caminhadas de sucesso.

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  3. Estando reformado e um pouco alheado do mundo da escrita, digo que para mim, foi e sempre será uma honra terem-me escolhido em duas antologias.
    Nunca considerei os meus escritos como obras primas, são apenas trabalhos em progresso, em sublime refinamento.
    Ter trabalhos meus editados, é uma honra que não voltarei a repetir ...
    Já tive a minha quota ...
    Se possivel, talvez, sairá das minhas mãos, quando tiver chegado os 50, todo o meu trabalho compilado por mim. Quem sabe ... Eu apenas escrevi, quem sou eu para dizer que tenho ou não talento ... Isso deixo ao critério do tempo ... Não te frustes com pormenores, as criações, como o vinho precisam de tempo para serem descobertas ...
    Eu assim o vejo ... Compreendendo que sabendo do talento nato que tens ás tuas mãos e que queres dar o mundo, por vezes, o mundo não dará a importância devida e sentida ...
    O mundo pode não dar a importância devida, acredita, mas o simples facto de haver pessoas como tu, que apostam e que vibram, em si, é uma vitória ...
    Num mundo onde ter talento não basta,
    é preciso ser algo mais ... E esse algo mais chama-se autenticidade ...
    E, mano, isso terás sempre ...
    Abraços grandes ...

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    1. Sendo como sou, com mais ou com menos epítetos, haverá sempre lugar para frustrações.

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