sábado, 16 de dezembro de 2017

FALA AÍ BRASIL... JOÃO AYRES (XIII)

Tragédia número 6

A palavra churrasco incendiando sua alma exposta no substantivo grelha, a sua alma transformada agora naquele tanto de carvão em brasa, a sua alma que sangrava como aquele tal ferimento que ele tinha no pé devido a um tanto de rachaduras na tal planta do referido pé mencionado anteriormente.

Ele agora visto como um fardo na vida daquela mulher, ele agora relativamente fora de forma, com nível de glicose relativamente alto no sangue, ele que desde de criança via o seu tio engolir o sangue daqueles suínos abatidos no quintal da casa de seus avós.

Ele como os tropeiros do passado a salgar aquelas carnes para que não apodrecessem no caminho.

Ele que que percebe que um homem estranho se aproxima daquela casa na qual o churrrasco está sendo realizado.

Ele que corre para a entrada e bloqueia o tal homem antes que todos possam vê-lo e ele que então indaga:

Sou o marido de fulana e acho que você enquanto pronome de tratamento está à procura dela.

O homem então responde: Ela havia me convidado para o churrasco e hesitei em aparecer, mas ela me deu o endereço e disse que se eu quisesse aparecer não haveria problema.

O tal homem que já era considerado marido apenas encostou o facão utilizado para cortar carne na barriga do intruso e disse no verbo dizer o seguinte:
- Vamos dar uma volta.


sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

FALA AÍ BRASIL... TACIANA VALENÇA (XII)

mulher o escambau!

Para variar eu estava com pressa (só ando apressadinha) e pelo visto a única vaga que tinha na frente daquele Shopping era esta (não queria entrar no estacionamento). Era pequena. Digamos, na conta! Mas eu ia tentar. Nessas horas eu queria um carrinho tipo KA, pois o meu é um OVNI Jurássico (é esse disparate mesmo aí). Estava lá eu, relembrando ao pé da letra minhas lições de como estacionar (faço isso quando a situação tá dificil). Quando olho um pouco mais à frente, do outro lado da rua, havia uns cinco taxistas me olhando (era um ponto para táxis). Tive certeza que estavam todos apostando que eu não colocaria aquele carro ali. Só de imaginar, fiquei irritada, pressentindo os comentários:

"-Só pode ser mulher".

"- Aposta quanto que ela desiste?"

Isso foi me deixando um pouco distraída. Lembrei de uma amiga baiana que quando um homem fazia barbeiragem, ela dizia exatamente o contrário:

"- Só podia ser homem!"

Olhei com um ar (imbecil) de superioridade e pensei: "agora é uma questão de honra!" Desistir eu não vou! Fiquei calma (sou uma mulher calma, tranquila e equilibrada, pensei...). Não posso passar de tres tentativas! Fingi que não estava ligando para eles e segui minhas lições à risca (rsrs), além de um sortudo golpe de vista (porque tava russo mesmo!). Enfim (e já bem devagarzinho para não encostar no carro de trás, já que isso ia ser uma desmoralização), consegui o feito! UFA! Beleza. Como diria um tio meu: 

"Daí então, gargalharei" (rsrs). 
E na maior moral (ainda retoquei meu batom, na paz), desci do carro e passei por eles. Mas deu uma vontade enorme de dizer:

-" Só podia ser mulher o escambau!"

Mini-Biografia:
Taciana Valença Administradora (Universidade Federal de Pernambuco), escritora, produtora cultural, editora da Revista Perto de Casa (Recife/PE/Brasil) e Diretora Social da União Brasileira de Escritores.
  

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

FALA AÍ BRASIL... LÚCIO MUSTAFÁ (VI)

A relação entre RAZÃO E HUMANISMO e IRRACIONALISMO E ANTI-HUMANISMO é flagrante. Te querem retirar a lucidez para te escravizar (animalizar) mental e fisicamente.
SE LIGUE
A história da humanidade, dos Impérios Mesopotâmicos até os dias atuais pode ser resumida na dominação de minorias perversas e pervertidas, induzindo a maioria dos seres humanos a duas coisas:
1. aceitar coisas ilógicas (irracionais) como certas e;
2. se deixar manipular como animais de criação.
A primeira dessas coisas produziu o IRRACIONALISMO e a segunda delas produziu o ANTI-HUMANISMO. Ambas juntas produziram a EXPLORAÇÃO DO HOMEM PELO HOMEM e a INFELICIDADE TOTAL das vidas na face da terra.
RESUMINDO: Esse conjunto de perversidades prejudicou o PLANO ARTÍSTICO-FILOSÓFICO da construção de UM MUNDO BOM E FELIZ PARA TODOS TOTALMENTE e, com isso, abateu-se A POTÊNCIA HUMANA DE RACIOCÍNIO E DE AÇÃO.
As pessoas passaram a se deixar usar como objetos pelos donos (no tempo da escravidão) e pelos patrões (nos tempos atuais).
Tudo isso comporta um:
SISTEMA SOFISTICADO DE ENGANAÇÃO DOS SERES HUMANOS e, para se livrar de tal sistema iníquo só mesmo APRENDENDO A RECONHECER A ENGANAÇÃO EM TODAS AS SUAS SOFISTICADAS ARTIMANHAS.
Houve quem, no passar da história, se desse conta desse COMPLÔ AUTO-RENOVÁVEL EM ANDAMENTO durante os séculos e os milênios. Foram filósofos que deram aquele alerta, dentre os quais: Epicuro, Antístenes, Diógenes, Descartes, Marx, dentre outros. Eles deixaram rastros dessa denúncia nos textos deles mas logo os GERENTES DA DOMINAÇÃO e do ENGANO tomaram providência para criar enganos também na INTERPRETAÇÃO DOS TEXTOS DELES.
Hoje o Anti-humanismo e o Anti-racionalismo estão muito fortes, pois os MANIPULADORES PERVERSOS acima citados se unificaram em torno do CAPITALISMO e, em grande parte, também se apossaram das RELIGIÕES de modo que fica difícil para uma pessoa desavisada PERCEBER O CONJUNTO DESSA ARMAÇÃO. Como eles se apossaram dos sistemas de reter riqueza (DINHEIRO) aplicam muita grana na manutenção desses sistemas e bolam mil modos de despistar alguém que, por ventura LEVANTE A HIPÓTESE DE QUE A ENGANAÇÃO EXISTE E ESTÁ EM ANDAMENTO.
Mas, para ajudar a quem quer se libertar dessa MALDIÇÃO DOMINADORA eu traço aqui um resumo do problema como um todo, só usando as PALAVRAS-CHAVE.
as plavras-chave são:
RAZĀO/HUMANISMO contra IRRACIONALISMO/ANTI-HUMANISMO
A história disso é a seguinte:
Por mais de 1000 anos os anti-humanistas DISFARÇADOS DE BONDOSOS SACERDOTES dominaram a humanidade, usando a Bíblia, fazendo todo mundo ser ignorante e pobre. Esse período de domínio ficou conhecido como Idade Média, ficou como um tempo intermediário no qual a maioria da humanidade NÃO PODIA RECLAMAR PARA NÃO MORRER TORTURADA E NA FOGUEIRA.
Mas a partir dos 1400 algumas pessoas SE DERAM CONTA DA ENGANAÇÃO e começaram a protestar e EXIGIR DIREITOS. Esse movimento que nasceu a partir desses protestos recebeu o nome de HUMANISMO e OS DOMINADORES NÃO CONSEGUIRAM FREIÁ-LO pois ele serviu de alarme geral para a humanidade e muitos não quiseram mais FICAR DEBAIXO DOS PORRETES DAQUELES FALSOS SACERDOTES.
Aquela VONTADE DE LIBERDADE DE PENSAR E DE SER SI MESMO cresceu e desenbocou na ERA DA RAZÃO, também chamada de ILUMINISMO, pois foi um tempo em que se tentou LANÇAR LUZ SOBRE O AMBIENTE ONDE OS HUMANOS AGIAM e isso ESCLARECEU que O ENGANO ESTAVA EXISTINDO AINDA E PERSISTINDO EM NÃO DESAPARECER.
No meio tempo, nos anos 1600 apareceu o Descartes que APONTOU PARA O GRANDE POTENCIAL HUMANO QUE ESTAVA SENDO OPRIMIDO PELOS ENGANADORES desde a Mesopotâmia, com uma exageração na acima citada IDADE MÉDIA. Descartes resumiu tudo numa famosa frase: PENSO LOGO EXISTO.
Esse ACENTO SOBRE O PENSAMENTO gerou um alerta geral num CLIMA SOCIO-INTELECTUAL que já vinha dos 1400 com a DESOBEDIÊNCIA HUMANISTA e desembocou na percepção de muitos de que PENSAR POR CONTA PRÓPRIA E USANDO A RAZĀO tinham tudo a ver e que OS ENGANADORES estavam exatamente IMPEDINDO AS PESSOAS DE PENSAREM POR CONTA PRÓPRIA, estavam OPRIMINDO O USO LIVRE DA RAZÃO usando mil CONVERSAS FIADAS para justificar aquilo.
Em outras palavras Descartes criou com aquela frase O RACIONALISMO, isto é, a teoria segundo a qual SÓ QUEM EXISTE REALMENTE É QUEM PENSA LIVREMENTE, USANDO A LÓGICA E A RAZÃO.
Foi aquela frase de Descartes que desencadeou a ERA DA RAZÃO e fez os ENGANADORES entrarem em pânico e desespero. Aquela frase ficou tão famosa e foi tão importante que entrou para a história da filosofia com o nome de CÓGITO, pois ela tinha sido escrita inicialmente em latim e em latim ela se diz assim: CÓGITO ERGO SUM (ao pé da letra: Penso, logo existo).
Então, em pânico OS ENGANADORES REFORÇARAM MAIS E MAIS O ENGANO e até hoje vivem COMBATENDO O RACIONALISMO (O livre uso da razão humana) e induzindo as pessoas a não quererem se sentir humanas e se deixarem usar como se fossem animais irracionais ou coisas, isto é, induzindo as pessoas a gostarem do IRRACIONALISMO.
A enganação é grande e continua cada vez mais forte, mas você, a partir desse meu texto poderá, tranquilamente, CONSTRUIR UM SISTEMA DE SEGURANÇA PARA VOCÊ evitar cair nessa armadilha que agora PRATICAMENTE TODA A HUMANIDADE ESTÁ CAÍNDO, pois OS ENGANADORES estão investindo pesado para fazer vir à tona UMA NOVA ERA DE ENGANAÇÃO TOTAL.
Boa Sorte e leia sempre meus textos para se manter DESALIENADO.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

FALA AÍ BRASIL... ANDREA SANT ANNA (V)


Os dias correm feito lobos... traiçoeiros, sorrateiros a nos iludir, e com fome... o tempo nos engole ferozmente. Deixa-nos por vezes, e não raramente, vestígios indignos, por outras, retalhos de sonhos. As cidades e lugares cada vez mais parecem-se com a caverna escura de Platão... O "Ensaio sobre nossa cegueira " já estreou. Nossa cegueira vem sendo sacudida com visões apocalípticas que fazem, literalmente , tudo tremer. Incrível viver nesses tempos!!! Tendo sempre sido solar e otimista, agora testemunhando o fim das coisas, a falência, os escombros, os retrocessos, as marcas de derretimento das certezas civilizatórias... Testemunhas com o peito oprimido pela dor de ver. Ver, presenciar, dói. Porém,  não  ver nos torna ridículos e patéticos. Somos ridículos e patéticos ainda quando vemos. Difícil deixar de sê-lo com a forja de mil anos a nos limitar em nossa ignorância. Nossa barbárie. Estupefação. Indignação. E por que não? Coragem. Vejo coragem em meio ao caos. Vejo beleza e nobrezas possíveis. Vejo poesia, enlevo e desejo também, vejo. Possibilidades de nascer da lama, como a flor de lótus, ressurgindo do nada que nos tornamos.

Eis, aí. Uma esperança.

mini-Biografia: Andrea Sant Anna

Mãe, avó, contadora de histórias, arte-educadora, ceramista, oficineira, Terapeuta Corporal

Expressar-se é curar-se. Me interessam coisas de cura e expressão. Arte e saúde. Coisas de dentro e de fora. Coisas com as próprias mãos , como desenhar, tocar, escrever, modelar, massagear, comunicar, acarinhar, cuidar, acolher, nutrir.  Me interessam as pessoas, sobretudo, as crianças , melhor momento dos humanos! 

Não sei bem o que fazer  com tudo isso, mas vou fazendo.

E indo ...

E expressando,  criando

E me curando...

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

FALA AÍ BRASIL... JOÃO AYRES (XII)

Tragédia número 5

Era um churrasco de família com cortes de carnes nobres e bebida de excelente qualidade. Ele estava feliz pelo fato de que ia comemorar seu aniversário com as tais pessoas que lhe eram caras.

Ele que percebe que a esposa está um pouco ou consideravelmente tensa naquela dia. Ela que o trata de maneira hostil antes do tal churrasco. Ela que se tranca no quarto e diz que não está bem ou que vai ficar bem logo e pede para que ele a deixe em paz. Ela que esta a falar com alguém ao telefone. Ele que está louco para ouvir aquela conversa no substantivo extensão. Ele que apedreja Madalena em seus delírios primitivos de bom cristão ledor assíduo da Bíblia Sagrada. Ele que agride o Messias com dois socos na boca do estômago por haver ressuscitado Lázaro.

Ela que desliga o tal telefone e que sai da palavra quarto e diz que está pronta para ir em terceira conjugação ao substantivo churrasco.

Ele que sabe muito bem que o substantivo churrasco deriva do espanhol socarrar que é um um verbo que significa chamuscar ou queimar e que  por sua vez deriva do basco sukarra que aponta para algo que está em chamas como sua alma incendiada agora por aquele tanto de carne apetitosa com largos quadris e seios fartos que está à sua frente e que tem mais de tantos mil anos e que descobriu o fogo ao lado daqueles homens há tantos mil anos que sentiam pela primeira vez a maciez daquela carne com os tais resquícios que ficavam presos entre seus dentes incertos.

Ele que liga novamente quando o casal estava saindo e ele o marido que atende ao telefonema e ele o tal homem que havia conversado com a tal mulher que diz que apenas havia ligado de novo para desejar uma boa festa, 
E
Ele que xinga o tal homem do outro lado da linha que prontamente desliga o telefone, pois não podia imaginar que o marido estivesse ao lado ou próximo da mulher.

Ele que consternado não perde a linha e ela que no corredor pergunta quem era e ele que diz que não era nada, apenas engano.

INTENÇÃO - ACABAR COM AQUELA FARSA DE UMA VEZ POR TODAS.
FRACASSO  - A NÃO REALIZAÇÃO DO ATO DEVIDO AO FATO DE QUE NUTRIA PROFUNDA CONSIDERAÇÃO PELA FAMÍLIA DA ADÚLTERA EM POTENCIAL.




segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

FALA AÍ BRASIL... PATRÍCIA PORTO (XXI)

O desassossego e a invenção nos (in)visíveis



Essa trapaça salutar, essa esquiva, esse logro magnífico que permite ouvir a língua fora do poder, no esplendor de uma revolução permanente da linguagem, eu a chamo, quanto a mim: literatura. 
Roland Barthes


nas paredes
em despudor de silêncio
a litania do invisível

no cio do limo
a sinfonia do mofo
lavra
o
segredo
da
rachadura


         É nas trincheiras da arte poética do cotidiano que encontraremos novos signos de resistência estética para a poesia. Prova disso é o livro de estreia de Carlos Orfeu, “(in)visíveis cotidianos”, que se desdobra páginas-corpo-poemas em múltiplos olhares que atentam para os “pequenos nadas”, expressão tão bem criada por Michel Maffesoli. Não foi à toa que a leitura das cenas cotidianas, dos frames que o poeta nos apresenta em versos densos e concisos, me levou a dialogar com lugares que refletem a relação entre o poder e o cotidiano, assim como também me fez pensar na relação do homem comum com o invisível corriqueiro. São reflexões que me fazem dialogar com a sociologia, a história, a história dos oprimidos, dos excluídos. Por isso, na leitura de “(in)visíveis cotidianos” não é simples apartar do aspecto crítico e literário da leitura o aspecto sociológico que há na cotidianidade. São poemas sobre o “tempo presente”, sobre a rotina, os pedaços do mundo, os vestígios da vida, os fragmentos que se amontoam como cruzes, estradas, corpos, urgências perfiladas por uma faixa humana também esquecida, abandonada, in-visibilizada. E intuo que na voz do poeta há também outros ditos no desvão das imagens – como palimpsestos, um volume sempre por-vir, uma nova urdidura entre a palavra e a espera.

Há no livro um mundo imagético a ser desvendado pelos leitores, há um convite que leva o olhar a funcionar como pausa.


no cio do limo


Carlos Orfeu parte do instante para o eterno como se parasse o tempo, o mantivesse em suspenso, e transformasse aquele momento num vórtice que une o todo.

Assim os poemas se conectam num livro-corpo que é também devir. E ler os (in)visíveis é aguçar os sentidos, conhecer as camadas para ouvir “a sinfonia”.


a lâmina ceifando a vida em seivas


               Feito a ninfa Eco - repito “seivas” e vou dedilhando as imagens que o poeta me apresenta. Na minha andarilhagem corro o risco da errância, e dialogo com mais imagens do cotidiano, as de Manuel Bandeira, Mário Quintana, Maria Helena Latini, Líria Porto e outros que me fizeram debruçar o corpo e a alma, todos os sentidos expandidos, para a importância desses significantes, numa outra dinâmica com este cotidiano. Carlos Orfeu chega para compor este painel de poetas e se une aos que ousaram dizer muito com menos, ver muito onde se vê menos, ser bastante sem desprezar esse menos. Porque há nesta arte - uma punção de vida, uma potência na vivência com “os pequenos nadas” e que precisa ser desvelada a partir de uma outra recepção, a que não exclui as  aventuras e as delicadezas do habitual - no seu trágico e belo, seja na voz, no silêncio. Mas para isso será preciso compreender uma lógica avessa à que nos faz perder os sentidos com  excessos.  Será preciso pousar o olhar no tempo íntimo das coisas, no tempo elástico das sensações do corpo, da casa, da rua, do urbano, desse nada que é tanto.

corto cebolas
com olhos ensopados

de águas esquecidas  

por Patrícia Porto



domingo, 10 de dezembro de 2017

FALA AÍ BRASIL... SÍLVIA SCHMIDT (IV)

Comoção

Foi de comoção minha experiência após ler Canção da Liberdade de Jade Rainho-moça linda que conheci em seus e meus tantos caminhos nas estradas da existência. Em uma manhã de Domingo dia de feira -na pequena vila de Caeté Açu no Parque Nacional da Chapada Diamantina-BA- ano de 2014-15. Foi uma conexão imediata. E depois na Festa Literária de Paraty ano em que as mulheres em auto publicações tornaram este evento um dos mais impactantes e inclusivos- a festa como festa na FLIP 2017.
Jade ave transformando vida em versos ousados [a fuga do centro do conforto]
ao mirar novos lares e universos [a transformar e transmutar-se] em canção em ritmo em criativas janelas.
Quando da primeira leitura o sentimento foi tal que precisei parar de ler este livro de poder- meus olhos eram apenas lágrimas em cascatas- o que deveríamos ser.
Cascatas, rios riachos e flores aves e afetos em versos encaixados encadeados ritmos das canções d’almas- pachamamas- peregrinas e viandeiras. Elaborados em sua visualidade em espaços também livres na folha de papel pólen bold 90G- folhas que a escolheram e escolhidas foram por suas mão de poeta: “Um livro Mágico feito de aprendizados como ela mesma nos lembra em sua contracapa
– ela uma - andorinha dourada- “abrigando entre as asas pedaços do céu”.
Agora em minha segunda e completa leitura – neste final de beleza pungente – eu sucumbi novamente a esta comoção a esta voz plena em pausas em explosão.
Coube-me neste universo nestes cantos o mundo aos quais ela generosamente nos transporta:
Vêneto, Itália verão de 2009
Cuyabá outubro de 2010
Ponta da Liberdade, Algarve Portugal
Porto Alegre
Penápolis
Budapeste
Largo Santa Cecília, centro São Paulo
Ligúria, Itália
Caeté Açu verão de 2015[aqui nosso tempo e nosso espaço de encontro]
Nestes lugares o seu tempo-espaço de vida [a física quântica nele inscrito]
“na impulsão original
inaugura a nova física
ilumina os mistérios
do cosmos”
Jade Rainho um pássaro de asas quebradas sua alma sua palma porque acrescenta na forma no sentido nesta amplitude impensável em um livro pocket- imensidões e potências reavivadas em significados. E a janela então seus braços abertos sua inteligência concreta [trabalho com o sentido visual- significante- a parte material do signo linguístico] em
] ] ] ] ] ] ] ] ] ] abro a janela [ [ [ [ [ [ [ [ [ [
Assim como em O APRENDIZ DE SIGNIFICAÇÕES
OU PALAVRAS REGADAS AO VENTO
Para Manoel de Barros
Livro síntese Canção da Liberdade versos universais abertos para o Amor
“Amor maior que mentira de pescador” que síntese essa- que síntese- neste
vasto repertório metalinguístico [espanhol inglês tupi guarani grego italiano]
enfim poiésis no sentido platônico [“ poiésis expressa o sentido geral do verbo poiéo,
que significa produção, fabricação, criação.
Livre e leve como uma pena- presente na obra.
Gratidão [somente para os que entendem]

Por Sílvia Schmidt
escritora editora poeta

Referência neste link



sábado, 9 de dezembro de 2017

FALA AÍ BRASIL... TACIANA VALENÇA (XI)

TPM

Sei que mulher é bicho estranho mesmo. Esquisito. Uma doideira. Quem quiser que tente entender. Eu, por ser uma, não me dou a esse trabalho. Às vezes chego a ser hilária sem nem me dá por conta. Mas, especialmente alguns dias no mês, realmente, a “porca torce o rabo”. Num dia como esses, tive um acesso; isso mesmo, aquilo foi um acesso de raiva, uma explosão, uma não sei o quê e nem por que. Comecei a falar, falar, falar... reclamei até das chamadas do telejornal. No dia seguinte meu filho perguntou se estava melhor. Perguntei:

- Melhor de que meu lindo? (na maior calma do mundo)

Ele falou de tudo que eu tinha dito no dia anterior e realmente vi que ficou muito preocupado. Então procurei explicar da melhor forma que pude, o que era TPM. Ele ouviu, perguntou e aparentemente, entendeu. Fiquei feliz por ter conseguido explicá-lo. Depois de alguns dias, ouvi perguntando a avó se ela tinha TPM. Ela sorriu e perguntou se ele sabia o que era isso. Ele disse que sabia, que a mãe havia explicado. Então perguntou o que era. Ele disse:

- Terrorista, Poderosa e Monstruosa. 

Fiquei arrasada!

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

ADRIANA APRESENTA... MANUEL MACHADO

Sensibilidade a flor da pele, humanismo e solidariedade. Essas são as palavras que definem Manuel Machado, que traduz não só em palavras, mas em sua forma de estar no mundo,  o sentido máximo de expressar a poesia em todas as suas vivências. Com talento e uma forma leve, discreta e sutil de se integrar por onde passa,  faz desse autor uma pessoa para não só ler, mas também para se admirar.

Manuel Jorge Machado Barqueiro, nascido no Porto por mero acaso, criado em Luanda-Angola, vivido em Lisboa, respira em qualquer sítio do mundo. Bancário de profissão já reformado, actualmente voluntário e cuidador por devoção. É terapeuta de reiki e dedica-se com forte fascínio pelas filosofias budistas. Tem participado de algumas antologias e lançou o seu primeiro livro O QUE A MINHA CANETA ESCREVEU, parte da coleção STATUS QUO coordenada por Emanuel Lomelino, em 2017.

“Há quem guarde as memórias e quem necessite relembrar histórias para colocar pontos finais no passado. O QUE A MINHA CANETA ESCREVEU, é uma forma de encerrar algumas histórias, relembrar outras com saudade e retornar a locais do passado que a memória foi incapaz de apagar, numa viagem, com muitas viagens dentro, sem distâncias nem tempo.”

A ASSESSORIA LITERÁRIA da In-Finita agradece o apoio e carinho deste autor, que veio somar e partilhar vivências.

Podem acompanhar o autor neste link 


quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

FALA ÁFRICA... MACVILDO PEDRO BONDE

M. P. Bonde lança A DESCRIÇÃO DAS SOMBRAS 

A Fundação Fernando Leite Couto, em Maputo,  lançou nesta quarta-feira, dia 06 de dezembro, o livro intitulado “A descrição das sombras”, da autoria de Macvildo Pedro Bonde ou M. P. Bonde, como é conhecido,  é resultado da primeira edição do prémio Fundação Fernando Leite Couto.

Segundo Bonde, o livro é uma prosa poética dividida em quatro momentos. No primeiro, terceiro e quarto, o poeta fala de seus “eus” e daquilo que apoquenta a sociedade. No segundo momento, fala do amor. “Não vale apena só falar de mim, mas também olhar para os males que apoquentam a sociedade que também sou membro. E como cidadão, tenho também de manifestar a minha simpatia ou não perante a sociedade”, referiu.

Este é o segundo livro de Bonde, depois de “Ensaios Poéticos”, lançado em Março deste ano. Por isso, nos próximos tempos, o poeta quer apenas deixar que as suas obras ganhem própria vida. “Neste momento tenho sete projectos terminados, mas o processo de publicação é outra coisa. E depois de ter dois livros em um ano não estou muito agora preocupado em lançar um livro. Estou num período `sabático´ de ponto de vista de publicação a não ser que seja aliciado por um projecto interessante. Tenho que deixar os livros ganharem a sua vida e as pessoas também consumirem”, referiu Bonde.

Biografia do Autor:
M.P.Bonde nasceu a 12 de Janeiro de 1980 em Maputo. Foi membro do projecto (JoAC) Jovens e Amigos da Cultura entre 2003-2004. Em 2004 é convidado para fazer parte do grupo Arrabenta Xithokozelo onde animam as noites de poesia e música no Modaskavulu do Teatro Avenida. Tem textos publicados na colectânea Arqueologia da Palavra, e em revistas electrónicas.
Em 2017 lança a sua primeira obra literária Ensaios Poéticos pela Cavalo do Mar. No mesmo ano é agraciado com o prémio Fundação Fernando Leite Couto com a obra A descrição das sombras, na sua primeira edição.

Podem acompanhar a página do autor neste link

E a fonte de divulgação neste link 

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

ADRIANA APRESENTA... MARIA ANTONIETA OLIVEIRA

Um sorriso acolhedor e um olhar de simpatia, Maria Antonieta Oliveira é daquelas pessoas que de imediato queremos permanecer ao lado. Essa foi a primeira impressão que tive, ao conhecer a autora e com o passar dos dias, a mulher. De opinião firme, mas sensata, de alegria genuína , mas feita de lutas, batalhas e dores. Também é a expressão da superação, da garra, da coragem e do entusiasmo. Sensível e forte. E com o dom da palavra escrita. Do ser poeta.

E para exemplificar, transcrevo a sinopse de SENTIRES POÉTICOS, seu mais recente lançamento parte integrante da COLEÇÃO STATUS QUO:

As experiências proporcionadas por encontros e desencontros, alegrias e tristezas, conquistas e frustrações, ânimos e revoltas, explicam a vida. O amor, a paixão, a solidariedade e o humanismo, são o tempero da própria vida. O medo, as angústias, as desilusões e desencantos são o preço por viver-se.
E a pena da poeta, qual cineasta, oferece-nos uma película de palavras que nos ilustra a vida, dando-nos a conhecer os seus sabores e o preço que temos de pagar por vivê-la.

Apresento e aproveito a oportunidade para agradecer a confiança, o apoio e o acolhimento da mais nova integrante da ASSESSORIA LITERÁRIA feita pela In-Finita:

Maria Antonieta Oliveira nasceu a 17 de Junho de 1948 - Colaborou em mais de cinco dezenas de antologias e colectâneas. - Foi autora da marcha popular do Vale Grande (Pontinha-Lisboa) nos anos de 1995 e 1996 - Em 2011 publicou o 1º livro de poesia intitulado “ Galeria de Afectos “ sob a chancela da Temas Originais - Ganhou o 2º prémio no 1º concurso de poesia da Associação Cultural DRACA – Palmela (2011), com o poema “Calceteiro”. - Em 2012 publicou o 2º livro de poesia intitulado “Encontro-me nas Palavras” sob a chancela da Temas Originais - Em 2014 publicou o 1º romance intitulado “Para Além do Tempo” sob a chancela da Chiado Editora - Em 2017 publicou o 3º livro de poesia intitulado “Sentires Poéticos” sob a chancela da Edições Vieira da Silva Prefaciou vários livros de outros autores. Apresentou o livro Impulsações do poeta Emanuel Lomelino.

Podem acompanhar a autora neste link